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Os defensores da reserva de mercado para técnicos de futebol seguem em ação

Domènec Torrent: após um jogo já há quem questione sua contratação pelo Flamengo - Alexandre Vidal/Flamengo
Domènec Torrent: após um jogo já há quem questione sua contratação pelo Flamengo Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

10/08/2020 15h08

Há um esforço contínuo pela manutenção do futebol brasileiro nas trevas. Sim, existem os apoiadores incondicionais da ala de treinadores incapazes de colocar em campo times que joguem futebol. Equipes sem covardia, que entrem no gramado desejando - e não rejeitando -, a bola, atacando e procurando a meta inimiga, independentemente do percentual de posse da pelota. Há quem admire esse estilo, mas ainda assim defenda o atraso.

Um obstáculo intransponível para alguns. Não é fácil fazer um time jogar assim. Requer conhecimento, métodos de treinamento, entre outros predicados que estão em sintonia com as necessidades impostas pelo esporte, que se transforma com enorme velocidade. O que servia e era moderno há uma década hoje é obsoleto, velho, superado, na visão de muitos dos principais profissionais que comandam os melhores elencos futebolísticos do mundo.

Mas aqui no Brasil o treinador estrangeiro é visto como um ser estranho, precisa encarar reações xenófobas e se provar o tempo todo. Quando perde, sofre ataques na mídia, oriundos dos setores de sempre, aqueles que enaltecem triunfos menores de técnicos que já estiveram entre os maiores. Puxam currículos, recordam conquistas de décadas atrás, ignoram o péssimo jogo recém-encerrado, em nítidos desfiles de camaradagem.

Enquanto isso, anônimos buscam espaço silenciosamente. Eles estão em divisões de base ou fora do mercado, consomem o futebol praticado lá fora, devoram livros, formam grupos de discussão, experimentam estratégias em times de garotos ou escondidos em equipes perdidas em algum ponto do país. Mas poucos recebem grandes oportunidades. E por serem desconhecidos, sofrem com a rejeição inicial. Pior, se chamarem a atenção de jornalistas e começarem a dar entrevistas, poderão desagradar dirigentes.

Mas os cartolas não se incomodam com a existência dos "clubes", identificados por uma bebida sofisticada, por um jeito grosseiro de se expressar ou por característica outra que se associe facilmente aos profissionais que contam com essa ajuda para não perderem de vez o espaço. E os soldadinhos desse exército são fundamentais na luta constante pela reserva de mercado, com a utilização de todas as armas possíveis, já que em campo, os recursos são cada vez menores.

Amizades proporcionam crônicas favoráveis, mesmo que o campo "fale" algo bem diferente. A brodagem ajuda a fazer vistas grossas para os defeitos, por mais que eles sejam visíveis quando a bola rola. Triunfos do passado distante são generosamente lembrados como se tivessem sido alcançados há poucos meses. Uma ação em amigos. Uma não, várias. E quem dela participa está pouco se lixando para o futebol, em alguns casos, apesar do discurso.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL