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Ninho do Urubu: após acordo, Fla segue longe de consenso com mais famílias

Camisas dos garotos do Ninho estendidas em frente à estátua do Bellini, no Maracanã - Divulgação
Camisas dos garotos do Ninho estendidas em frente à estátua do Bellini, no Maracanã Imagem: Divulgação
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

10/06/2020 04h00

Após chegar a um consenso com os familiares do goleiro Bernardo Pisetta, o Flamengo ainda tem cinco famílias e meia com as quais deve negociar indenizações por mortes no incêndio do Ninho do Urubu. Mas a distância a ser percorrida para que chegue a novos acordos ainda é grande. O blog entrou em contato com elas e seus representantes. Todos disseram que não têm contato com o clube há muito tempo.

A maioria alega não ver ou falar com dirigentes desde a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela aconteceu em fevereiro, mês do primeiro aniversário da tragédia, completado no dia 8. "Não houve nada desde então", diz Arley Campos, que é advogado dos pais do goleiro Christian Esmério.

"Eles não nos procuram desde a CPI. Eu que mandei mensagem para saber se as negociações retomaram e disseram que ainda não. Na verdade, na CPI não nos procuraram, estávamos todos lá. Proposta (feita pelo Flamengo) tem até mais tempo. Saímos da CPI com a mensagem de que eles nos procurariam para negociar, o que não aconteceu até hoje", lamenta Paula Wolf, advogada contratada pela família de Jorge Eduardo.

Perguntada se há alguma perspectiva de avanço ou alguma rediscussão sobre a indenização com os dirigentes, Mariju Maciel, advogada que representa familiares do volante Pablo Henrique, é direta: "Nenhuma. Estamos aguardando o fim do inquérito para ajuizar. Eles nunca nos procuraram e nem há o que rediscutir sobre o que nunca foi discutido".

Mãe do zagueiro Arthur Vinícius, Marília Barros é enfática: "Até o dia de hoje o Flamengo nunca entrou em contato comigo. Em 15 de maio de 2019 uma pessoa que se dizia advogada me procurou e nunca mais entrou em contato. Jamais estive com alguém da diretoria, mas sim com médicos e psicólogos. Dizem que por causa dos advogados eles não têm acesso às famílias. Mas você tentou contato comigo e conseguiu, não?" Ela afirma que, no atual contexto, não há qualquer perspectiva de acordo.

"Não estão fazendo acordo nenhum com a família que represento, em absoluto", afirma Gislaine Nunes, advogada da mão de Rykelmo, cujo pai, separado dela, fez acordo com o clube. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro acompanha o caso para os familiares de Samuel Thomas, que era lateral-direito, e também não mantém contato com o Flamengo há tempos.

A instituição informa, ainda, que teve ciência sobre a incidência do Imposto de Renda sobre a pensão mensal (R$ 10 mil) paga às famílias. A Defensoria está estudando quais as medidas tomar a respeito de tal questão. Vice-presidente geral e jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee de Abranches explicou que foi uma exigência do fisco, reforçada em recomendação feita durante a auditoria pela qual o clube passou: "Todos brasileiros são obrigados a pagar IR. É a lei".

Mauro Cezar Pereira