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Mauro Cezar Pereira

Campeonato alemão confirma o óbvio, a torcida pode pesar muito no futebol

Steffen e Haaland em Wolfsburg x Borussia Dortmund, que venceu fora de casa - Michael Sohn / Pool via Getty Images
Steffen e Haaland em Wolfsburg x Borussia Dortmund, que venceu fora de casa Imagem: Michael Sohn / Pool via Getty Images
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

26/05/2020 04h00

"Desde que a Bundesliga (campeonato alemão de futebol) voltou, em 16 de maio, os times que jogavam em casa conseguiram vencer apenas três dos 18 jogos disputados nas últimas duas semanas (16,6%) - antes do intervalo, percentual de vitórias entre os times da casa era de 43,3%"

O dado divulgado pela Opta Sports não deixa dúvidas quanto ao peso da torcida na construção do mando de campo. Sem ela, os jogos do campeonato alemão ficaram mais equilibrados e os donos da casa não impõem-se como em condições normais.

Essa constatação apenas confirma aquilo que já sabíamos, embora os coveiros do futebol tentem provar o contrário: torcida não ganha jogo, mas pode ajudar. Muito! Claro que somente ela não basta, mas sem o alento da arquibancada, fica menos vantajoso jogar em casa.

Evidentemente o mando de campo se consolida por intermédio de outros fatores. O costume com o estádio, o gramado, a logística facilitadas por quem atua em seus domínios e não precisa viajar, etc. Mas é preciso saber criar a atmosfera que pode fazer diferença.

Os alemães encontraram seu formato. Os estádios germânicos têm setores mais populares, torcedores de pé com bandeiras grandes de mastro e muitos cânticos de apoio. O tempo todo.

No Brasil há quem "jogue" contra a cultura de arquibancada. O direito de torcer é retirado por cartolas e outros personagens e suas canetadas. A torcida é sabotada em nome de uma suposta segurança, como se acessórios utilizados para embelezar a festa tivessem obrigatória conexão com a violência.

Os ingleses da Premier League já perceberam o prejuízo causado pela limitação imposta aos torcedores. Estádios grandes e sempre cheios como o do Arsenal são autênticas geladeiras, com uma plateia que, não raras vezes, festeja gols aplaudindo como se estivessem na ópera.

Muitos na Inglaterra clamam por uma maior flexibilização que permita aos fanáticos torcer como manda o manual. E ajudar os jogadores em campo. No Brasil é necessário discutir mais essa questão. A diferença que a torcida faz está ainda mais óbvia ante os momentaneamente desertos estádios alemães.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mauro Cezar Pereira