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Futebol brasileiro doente, em crise, desunido, sem liderança, perdido

Maracanã vazio em Fluminense x Vasco - Caio Blois/UOL
Maracanã vazio em Fluminense x Vasco Imagem: Caio Blois/UOL
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

17/04/2020 15h46

Conversando informalmente com dirigentes do futebol brasileiro, percebe-se que há um pensamento comum: falta união na crise. Os clubes não remam, juntos, como deveriam nessa situação inédita. Algo que torna tudo mais difícil com a pandemia de coronavírus e a paralisação das atividades.

"Momento é desafiador a todos, está muito complicado para os clubes. Despesas correndo e receitas ainda mais comprometidas. Será que nem em um momento de calamidade assim conseguiremos a tão sonhada união entre os clubes?", perguntou, em conversa com o blog, um ex-dirigente da Série A.

É óbvia e necessária a união inexistente, sobretudo agora. "Algumas divergências precisam ser relevadas em nome do todo. Se o todo desmoronar, desmorona tudo, embora alguns tenham dificuldade de entender essa lógica", acrescenta. "Alguém precisaria tomar a iniciativa", diz. Mas quem?

"Alguns queriam voltar a jogar em maio, alimentavam essa possibilidade cada vez mais distante. Mas outros clubes grandes já colocaram em férias e disseram que não jogarão", diz outro dirigente, ainda à frente de um dos integrantes da primeira divisão nacional. Falta unidade nas ações, nos planos, nas intenções de cada um.

Fato, sabe-se muito pouco em relação a calendários e o que vai acontecer. Federações estaduais e Conmebol dizem que suas competições terminarão em campo e ponto. Apenas a CBF não bateu martelo. Mas por outro lado, é possível apenas fazer projeções esboçando diferentes cenários. Como definir o futuro em meio a tanta incerteza?

"Estamos vivendo uma crise de liderança", atesta o dirigente que, mesmo fora de seu clube, segue preocupado com o que virá. "É preciso alguém que tenha capacidade de articulação política para fazer acontecer e entenda de futebol", reforça. Aparentemente esse personagem não está disponível.

Mauro Cezar Pereira