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Coronavírus: jogadores brasileiros não conseguem deixar a Arábia Saudita

Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

16/04/2020 14h07

Dezenas de jogadores, treinadores e outros brasileiros profissionais de futebol que atuam na liga saudita estão no país árabe ansiosos pela oportunidade de retorno ao Brasil. Eles querem encarar a fase mais difícil da pandemia no país, mas não conseguem voo partindo da Arábia Saudita, apesar dos esforços junto à Embaixada em Riyadh.

"Estamos nessa correria há mais de duas semanas, tem a burocracia de mandar os dados para a embaixada para conseguir um voo que permita o retorno ao Brasil o mais rapidamente possível, antes que fechem totalmente os aeroportos", explica o volante Luiz Philipe Muralha, revelado pelo Flamengo e que defende o Al-Hazem, 12º da Pro League.

O atleta diz que as informações do governo brasileiro são desencontradas e que a intenção é fretar um voo que iria até Madri e depois para São Paulo. "Os sauditas não nos impedem de irmos aos aeroportos, o reino já liberou para os estrangeiros. Gente de outras nacionalidades já foi embora, aqui, dois que jogam comigo conseguiram voo, um italiano e um que mora na Suíça", relata.

Luiz Philipe Muralha em ação pelo Al-Harzem - Divulgação
Luiz Philipe Muralha em ação pelo Al-Harzem
Imagem: Divulgação
Divulgação
Imagem: Divulgação

Já existe um toque de recolher no território saudita, que começa às 15 horas e vai até às 6 horas da manhã seguinte. "Depois disso não pode ficar na rua. É bem rígido e o pessoal respeita bastante. Já estão dizendo que vão estender para 24 horas por dia, direto", diz o jogador. A ideia é reunir de 150 a 200 pessoas para o voo, mas há questões que dependem da diplomacia brasileira.

"Esperamos ficar mais perto da família. Por mais que não possa sair de casa, melhor estar em nosso país. Aguardamos pela Embaixada. Queremos pelo menos um orçamento para fretar um voo para chegar ao Brasil", relata Muralha, que tem contrato até meados de 2021 com o Al-Wehda, onde joga com brasileiros como Anselmo e Renato Chaves. O técnico Fábio Carille e o goleiro Marcelo Grohe, ambos do Al-Ittihad, são outros na situação.

O blog entrou em contato com a Embaixada do Brasil em Riyadh, que solicitou fazer contato com o Itamararty. A resposta:

"Desde o início da crise, o esforço do Itamaraty tem sido o de viabilizar o retorno de nacionais residentes no Brasil que se viram retidos no exterior, em decorrência de cancelamento de voos ou medidas de limitação de movimentação terrestre. A Embaixada do Brasil em Riade tem conhecimento da situação de 6 brasileiros não residentes retidos na Arábia Saudita, em decorrência das restrições de movimentação provocadas pela pandemia de Covid-19. As severas restrições de movimentação e o fechamento de todas as fronteiras - terrestres e aéreas - limitam severamente a gama de opções disponíveis para a repatriação. Negociações estão em andamento para viabilizar solução que permita aos nacionais retidos na Arábia Saudita o mais rápido retorno possível ao Brasil. A excepcionalidade da situação e as dificuldades impostas pelo isolamento imposto pelas autoridades no país desaconselham qualquer previsão, mas o Itamaraty está trabalhando, ininterruptamente, para lograr o retorno de nossos compatriotas. O Itamaraty também está atento à situação dos brasileiros - de todas as profissões - que se encontram em situação financeira precária, em decorrência da crise econômica que acompanha as medidas de isolamento social decretadas pelos governos dos países em que residem permanentemente. É importante ressaltar que as representações no exterior dispõem de verbas de assistência para casos emergenciais, mas não há previsão orçamentária para a concessão de auxílio continuado. Tendo em vista a maior incidência de casos de desvalimento, outras soluções estão sendo exploradas, como a organização de redes de assistência, com auxílio de organizações religiosas, associações, cidadãos brasileiros e locais. Outras soluções poderão ser analisadas, a depender da evolução dos acontecimentos e do encerramento das fronteiras".

Mauro Cezar Pereira