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Flamengo confirma quanto pagou por Gabigol e escancara "vírus" da fake news

Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

31/03/2020 16h53

Em 24 de outubro de 2019, na programação da ESPN, compartilhei a informação apurada sobre o acordo então alinhavado entre Flamengo e Internazionale para a venda de Gabriel Barbosa, o Gabigol. O perfil Planeta do Futebol registrou em sua conta do Twitter (abaixo).

As cifras giraram, sempre, entre 16 milhões e 17 milhões de euros. Na reta final das negociações o clube italiano abriu mão de parcela maior dos direitos sobre o jogador, em troca de mais algum dinheiro, como o blog registrou em 21 de janeiro e confirmou sete dias depois.

Nesses meses de negociações e espera, na imprensa italiana e brasileira, um festival de chutes, com cifras turbinadas, anabolizadas, descabidas e que agora ficam ainda mais evidentes como falsas informações, ou seja, fake news. Isso porque o Flamengo publicou em seu site as Demonstrações Financeiras do ano de 2019, auditadas pela Ernst Young. Nelas, inclui contratações feitas em 2020, como a de Gabigol. E o valor lá aparece (abaixo).

Módulo Mauro Cezar - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Em 24 de novembro, horas depois de o artilheiro decidir a Libertadores a favor dos rubro-negros, o tradicional diário esportivo La Gazzetta dello Sport elevou o preço a 40 milhões de euros. O jornal publicou que, para levar Gabigol, desde a noite anterior seriam necessários pelo menos 35 milhões a 40 milhões de euros. Só assim a Inter o negociaria. A informação era atribuída a Giuseppe Marotta, dirigente do clube de Milão.

Nesse intervalo o "preço" da multa rescisória variou absurdamente, times ingleses foram inseridos no noticiário em diferentes idiomas. Se mais clubes de futebol revelassem de forma tão ágil e clara detalhes sobre suas finanças, uma parcela maior da imprensa faria trabalho mais responsável, na Itália, no Brasil, onde for. A transparência é um bom remédio para o vírus da fake news que assola o jornalismo por intermédio de conhecidos agentes transmissores.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL