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Mauro Cezar Pereira


Em meio à pandemia de coronavírus, CBF perde chance de melhorar calendário

Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

19/03/2020 16h16

Técnico do Botafogo, Paulo Autuori criticou a CBF por suspender as competições por ela promovidas e deixar a cargo das Federações as decisões dos Estaduais. Em resposta, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, deu entrevista ao canal Sportv. Nela, rejeitou, inicialmente, mudanças no calendário do futebol nacional em 2020.

"A mudança do calendário não pode ser objeto de uma oportunidade, tem que ser de convicção. Não será por conta da crise que vamos mudá-lo radicalmente," disse o dirigente da Confederação Brasileira de Futebol.

Ora, por que não pode ser objeto de uma oportunidade? Obviamente ninguém gostaria que fosse nas circunstâncias atuais, em meio à pandemia de coronavírus. Mas se a situação assim se apresentou, o mais razoável seria planejar o futuro da melhor forma possível.

Pena que os cebeefianos pensem de outra forma. Diante do que se passa, já deveriam estar dialogando com todos envolvidos para que se chegue a uma ideia, uma solução. O calendário do futebol brasileiro é risível, contaminado pela política que conecta Confederação e Federações. As circunstâncias poderiam encaminhar a um aprimoramento.

É injustificável a CBF não encarar, desde já, a possibilidade de uma adequação ao calendário europeu, por exemplo. A paralisação tende a ser longa, demorada, e o quanto antes deveriam planejar a volta do futebol. Feldman disse ainda que a entidade já articula junto ao governo pela suspensão dos pagamentos do Profut, mas não mexe no que mais lhe caberia.

Como entender que a Confederação deixe a definição do calendário para depois? Por que não agora, dialogando com clubes, atletas e demais envolvidos? Não se trata de canetadas, decisões de cima para baixo, mas sim priorizar as discussões sobre como será a volta do futebol em diferentes momentos e cenários. Se isso não couber à CBF, a quem caberá?

Mauro Cezar Pereira