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Mauro Cezar Pereira


Santos encara espécie de "São Caetano argentino" na estreia da Libertadores

Fernando Marquez disputa jogada durante partida do Defensa y Justicia contra o River Plate - Alejandro Pagni/AFP
Fernando Marquez disputa jogada durante partida do Defensa y Justicia contra o River Plate Imagem: Alejandro Pagni/AFP
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

03/03/2020 04h00

Classificação e Jogos

O Defensa y Justicia é um pequeno clube argentino que tem futebol profissional há pouco mais de quatro décadas e vagou pelas divisões menores da Argentina desde os anos 1970. Fundado no dia 20 de março de 1935, montou sua primeira equipe de fútbol apenas em 1977. Estreou em março de 1978 na Primera D argentina, algo como a quarta divisão da época.

O time de Florencio Varela, cidadezinha nos arredores de Buenos Aires, chegou à primeira divisão apenas em 2013/2014, após um trabalho que já vinha de outras temporadas. Por trás de tamanho movimento, o empresário de jogadores Christian Bragarnik, que fez do DyJ uma espécie de 'São Caetano argentino". O clube da cidade próxima a São Paulo que surgiu, foi vice brasileiro e da Libertadores.

Nesse processo, El Halcón (o Falcão), como o Defensa é conhecido, foi comandado por vários treinadores que têm carreiras geridas por ele, como Jorge Almirón, vice da Libertadores 2017 com o Lanús. Também é o caso de Diego Cocca, que saiu do clube para quebrar o jejum de 13 anos sem títulos do Racing em 2014 ? hoje está no Rosario Central.

Em seguida, por lá passou Ariel Holan. O atual comandante da Universidad Católica do Chile, adversário do Internacional nesta terça-feira, foi campeão da Copa Sul-americana em 2017 com o Independiente, superando o Flamengo na final, com um empate no Maracanã depois de vencer em Avellaneda.

Também trabalha com o mega-agente Sebastián Beccacece, hoje no Racing; ex-auxiliar de Jorge Sampaoli que foi vice-campeão argentino em 2019 com o DyJ, quando de sua segunda passagem por lá. Em 2017, com ele, o primeiro grande feito internacional o clube de Florencio Varela: eliminou o São Paulo da Sul-americana, no Morumbi.

Outro que comandou o time foi Nelson Vivas, atual auxiliar de Diego Simeone no Atlético de Madrid. Hoje, dirige o Defensa y Justicia o ex-goleador Hernán Crespo, que após treinar o Modena, na Itália, debutara no futebol argentino dirigindo o Banfield. Em 2020 são cinco jogos com três empates e uma vitória até aqui.

Tratado na mídia argentina como "consultor esportivo" do Defensa y Justicia, Christian Bragarnik teve que dar entrevistas antes do empate com o River Plate sábado passado. Às vésperas da estreia pela Libertadores, contra o Santos na terça-feira, comentava-se sobre a possibilidade de um time misto ir a campo.

Isso, em tese, facilitaria a equipe de Marcelo Gallardo, então três pontos à frente do Boca Juniors na penúltima rodada da Superliga Argentina. Uma vitória poderia até valer o título. Mas o DyJ empatou (1 a 1) em pleno Monumental de Nuñez lotado, atuação e resultado que chamam a atenção e servem de alerta para os santistas.

Bragarnik é tão forte que monta times. Colocou Cocca no Racing, por exemplo, assim como alguns jogadores, para a campanha do título em 2014. Tem atletas e clubes nas mãos até fora da Argentina, como o chileno Unión La Calera, que eliminou o Fluminense da Sul-americana, além de espalhar profissionais por Equador, México etc. Em, 2019 comprou o Elche, da segunda divisão espanhola, por ?20 milhões.

Ele gerencia pelo menos uma centena de jogadores, como Darío Benedetto, vendido pelo Boca ao Olympique de Marselle por ?14 milhões (pela cotação do dia, perto de R$ 70 milhões), o zagueiro Víctor Cuesta, do Internacional, e Carlos Sánchez, do próprio Santos, além de pelo menos uma dúzia de treinadores (veja lista abaixo), entre eles, Maradona.

Com o empresário, o DyJ virou frequentador de competições internacionais. No ano passado, lutando pelo título argentino, poupou titulares e foi eliminado pelo Botafogo em confronto curiosíssimo, pois dominou o jogo no Rio de Janeiro debaixo de uma tempestade e encurralou o time carioca boa parte do tempo na Argentina, mas perdeu os confrontos. Vejamos como será com o Santos nesta fase de grupos.

Técnicos de Bragarnik

Sebastián Beccacece (Racikng, Argentina)
Eduardo Coudet (Intrernacional, Argentina)
Diego Cocca (Rosario Central, Argentina)
Diego Dabove (Argentinos Juniors, Argentina)
Leonardo Madelón (União de Santa Fé, Argentina)
Walter Coyette (La Calera, Chile)
José María Martínez (San Luis de Quillota, Chile)
Antonio El Turco Mohamed (Monterrey, Méwxico)
Darío Franco (Centro Deportivo Olmedo, Equador)
Lucas Bernardi (Godoy Cruz, Argentina)
Jorge Almirón (Al-Shabab, Arábia Saudita)
Diego Armando Maradona (Gimnasia y Esgrima de La Plata, Argentina)

Mauro Cezar Pereira