PUBLICIDADE
Topo

Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Fifa abre investigação que pode mudar dono de vaga na Copa do Qatar

Byron Castillo, durante jogo da seleção equatoriana - Reprodução/Instagram
Byron Castillo, durante jogo da seleção equatoriana Imagem: Reprodução/Instagram
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

11/05/2022 10h41

A Fifa informou que seu Comitê Disciplinar abriu procedimentos para averiguar denúncia da Federação Chilena de Futebol de que o equatoriano Byron Castillo na verdade é colombiano e não podia ter defendido o Equador nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. O Chile pede que os equatorianos percam pontos nos oito confrontos em que Castillo esteve presente, o que tiraria o país do Qatar dando a vaga aos chilenos.

A Fifa incluiu a Federação Peruana no processo porque o Peru terminou em quinto nas Eliminatórias sul-americanas e jogará a repescagem mundial contra o vencedor de Austrália e Emirados Árabes — o jogo será único no dia 13 de junho, no Qatar. Inicialmente a colocação peruana não seria modificada. Se classificaram direto ao Mundial Brasil, Argentina, Uruguai e Equador.

A federação chilena enviou no dia 4 de maio a denúncia alegando que "existem inúmeras provas de que Castillo nasceu na Colômbia, na cidade de Tumaco, no dia 25 de julho de 1995, e não em 10 de novembro de 1998, na cidade equatoriana de General Villamil Playas".

O Chile contratou o advogado brasileiro Eduardo Carlezzo, especialista em direito desportivo e que nas Eliminatórias para a Copa da Rússia representou o país em caso parecido, ganhando pontos em partida contra a Bolívia. Os problemas, segundo ele, ocorreram quando ele foi registrado pela primeira vez no clube Norte América, em 2012.

"É um momento muito importante para as nossas pretensões. Se a Fifa não abrisse uma investigação, isso praticamente eliminava as nossas chances. Se abriu uma investigação é porque, preliminarmente e sem avançar no mérito, entendeu que existem indícios de uma possível adulteração e agora vai se aprofundar no mérito, ouvindo a posição do jogador e da federação equatoriana. Desde o começo venho dizendo que estamos convictos de que o jogador nasceu na Colômbia e falsificou a certidão de nascimento no Equador, e mostramos isso com documentos à Fifa. Agora chegou a vez do atleta e da FEF se explicarem", afirmou Eduardo Carlezzo.

Em nota, a Federação Equatoriana de Futebol disse que Castillo é equatoriano para efeitos legais e que está "devidamente inscrito na autoridade legal competente" e conta com "toda a documentação nacional em ordem".

"Anunciamos que a FEF está à disposição para provar na Fifa e no órgão que for necessário que sempre agiu legalmente e que nossa merecida classificação para o Mundial do Catar é fruto disso", finalizou a federação no comunicado.

Não há prazo para que o Comitê Disciplinar da Fifa decida e quem perder ainda poderá recorrer ao Comitê de Apelação da federação internacional e depois, caso queira, ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). A Copa do Mundo do Qatar será realizada entre 21 de novembro e 18 de dezembro de 2022.