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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Decisão sobre punição contra racismo não foi unânime; CBF queria mais rigor

Torcida do Fortaleza fez mosaico contra o racismo em jogo contra o River Plate - Lucas Emanuel/AGIF
Torcida do Fortaleza fez mosaico contra o racismo em jogo contra o River Plate Imagem: Lucas Emanuel/AGIF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

10/05/2022 11h02

O Conselho da Conmebol aprovou as mudanças elaboradas pela direção da confederação sul-americana para punições em casos de discriminação nas competições da entidade, principalmente por parte de torcedores, mas não foi unânime. A CBF queria um pouco mais de rigor nas possíveis sanções, como a perda de pontos. As outras nove associações entenderam que, por ora, as alterações definidas podem resolver.

Foram duas mudanças principais no artigo 17 do Código de Disciplina da Conmebol: aumento da multa mínima de US$ 30 mil (R$ 154 mil) para US$ 100 mil (R$ 513 mil) e a possibilidade de jogar sem torcida ou com parte do estádio fechado. A redação anterior não previa qualquer outra punição além da multa.

Na sexta-feira, em entrevista ao Ge.com, o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, avisou que mandaria para a Conmebol a proposta de perda de pontos a clubes que tivessem torcedores que cometessem atos discriminatórios em jogos de torneios da confederação. Nas últimas rodadas da Libertadores e da Sul-Americana se repetiram casos de torcedores jogando bananas em fãs de clubes rivais ou imitando macaco.

As mudanças valem para as competições em andamento. A coluna apurou que internamente a diretoria da Conmebol avalia que as alterações devem forçar os clubes a criarem mecanismos que tentem evitar atos racistas nos jogos, já que atuar com portão fechado gera perda financeira e esportiva.

Há também orientação da Conmebol para que as equipes de arbitragem sigam as recomendações da Fifa caso flagrem atos discriminatórios nos jogos da Libertadores e Sul-Americana. São os "três passos contra a discriminação":

- no primeiro, o jogo fica paralisado e avisos nos telões e alto-falantes pedem que a torcida pare com as ofensas;

- no segundo, o jogo para novamente, mas por mais tempo e os jogadores descem para o vestiário - novos avisos são dados;

-se não pararem, o terceiro passo é encerrar definitivamente o confronto, suspendendo-o independentemente dos minutos jogados.

Há a conscientização entre os membros da confederação de que não será fácil para a equipe de arbitragem e funcionários dos estádios identificarem atos racistas isolados - o conceito da Fifa prevê grandes manifestações, como um grupo de pessoas cantando músicas xenófobas, comum na Europa.

Os clubes serão instruídos a que jogadores e membros da comissão técnica informem a arbitragem ou ao delegado de jogo caso flagrem atos racistas nas arquibancadas. A paralisação do jogo ocorrerá se algo for percebido e o protocolo da FIFA será seguido.

Nessa concepção, a ideia é que haja a identificação do racista e que as autoridades possam agir, seguindo as leis de cada país. Foi o que aconteceu em um dos casos recentes, quando um torcedor do Boca Juniors foi preso pela polícia após imitar um macaco na Arena Neo Química durante um jogo contra o Corinthians, pela Libertadores .

Ele pagou fiança e foi liberado no dia seguinte. O River Plate puniu um torcedor que foi flagrado puxando uma banana contra os torcedores do Fortaleza na segunda rodada da fase de grupos da Libertadores — mesmo assim o clube argentino foi multado em US$ 30 mil, ainda pela regra antiga.

chamada de "três passos contra a discriminação"... - Veja mais em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/marcel-rizzo/2022/04/29/jogos-da-libertadores-podem-ser-paralisados-se-houver-atos-racistas.htm?cmpid=copiaeco