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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Não é só a Copa: Fifa projeta colocar Euro e Copa América a cada dois anos

Lionel Messi, capitão da Argentina, levanta a taça da Copa América de 2021 - Carl de Souza/AFP
Lionel Messi, capitão da Argentina, levanta a taça da Copa América de 2021 Imagem: Carl de Souza/AFP
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

04/09/2021 04h00

O projeto da Fifa de alterar o calendário do futebol para realizar a Copa do Mundo a cada dois anos, e não mais quatro, mudaria também a periodicidade de torneios continentais de seleções como a Eurocopa e a Copa América. O plano é que essas competições ocorram nos anos ímpares, também em formato bienal, fazendo com que em todo verão no Hemisfério Norte (entre junho e julho) haja um campeonato oficial.

As Copas ocorreriam nos anos pares e os continentais nos ímpares — ideia da Fifa é que as competições de todas as seis confederações fossem agendadas para o meio do ano, mesmo a africana, que normalmente ocorre em janeiro.

Isso já tem gerado ruído entre a federação internacional e Uefa (União Europeia de Futebol) e Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). Os sul-americanos, apesar de terem realizado quatro Copas América nos últimos seis anos, recentemente ajustaram seu calendário para que essa competição ocorra simultaneamente à Eurocopa, nos anos pares em que não haja Copa. A próxima edição está marcada para 2024, provavelmente no Equador, e a seguinte seria só em 2028.

A coluna apurou que Uefa e Conmebol torcem o nariz, neste momento, para o projeto de Copa a cada dois anos, principalmente porque seriam obrigados a ajustar as datas de seus continentais. Os europeus recentemente criaram uma segunda competição de seleções, a Liga das Nações, que já tem patrocinadores amarrados é é disputada nas datas-Fifa que não tenham jogos de Eliminatórias, seja da Euro ou da Copa.

A Conmebol tem nos últimos meses firmado parcerias com a Uefa, e a alteração da periodicidade da Copa América (antes bienal e trienal) foi de encontro à prospecção de parceiros em conjunto com os europeus.

Para a Fifa, o novo calendário do futebol teria o verão no hemisfério norte, entre junho e julho, reservado aos torneios oficiais das seleções. Outros dois meses do ano, ou até menos, estariam reservados para as seleções jogarem Eliminatórias, com o resto das datas livre para os clubes. Dessa maneira a entidade acha que terá o apoio dos times gigantes da Espanha, Inglaterra, Alemanha, França e Itália para o seu projeto, o que poderia isolar o comando das confederações.

Como o blog mostrou, a Fifa ataca em várias frentes para ver sua proposta vingar: às federações filiadas menores a promessa de maior chance de ir a uma fase final de Copa e de maior revezamento na escolha de sedes. Aos jogadores, a ideia de que vários profissionais perdem a chance de disputar o Mundial no auge da carreira com o hiato atual de quatro anos.

A direção da federação internacional quer criar uma comissão com jogadores e ex-jogadores que viajem o mundo defendendo a Copa bienal — embaixador da Copa do Mundo de 2022 no Qatar, o brasileiro Cafu é cotado para fazer parte do grupo.

O novo calendário
A Copa do Mundo e os continentais a cada dois anos seria mais uma peça na alteração organizacional que a Fifa planeja para o futebol depois de 2024. O grupo de estudo liderado pelo ex-técnico do Arsenal Arsene Wenger discute deixar um ou dois meses anuais exclusivos para jogos de seleções e o restante para competições nacionais e continentais de clubes, além das férias.

Seriam menos datas-Fifa, hoje distribuídas em nove dias por cinco meses ao ano, mas que seria compensada com a Copa do Mundo a cada dois anos depois de 2026, edição que será dividida entre EUA, Canadá e México. Poderia ser o fim, ou ao menos a diminuição, das tensões entre federações e clubes na liberação de jogadores às seleções, como as que ocorrem agora em setembro. Algumas ligas, como a inglesa, vetaram a viagem de atletas para as Eliminatórias na América do Sul alegando que quarentenas exigidas por causa da covid-19 prejudicariam a utilização dos convocados no retorno.

A CAF, a confederação africana, já sinalizou que pode apoiar em bloco a Copa bienal caso ela entre na pauta de um Congresso futuro — já seriam garantidos assim 56 dos 211 votos possíveis. Nas últimas semanas federações da Ásia, como Nepal e Bangladesh, se mostraram favoráveis e a Fifa aposta que associações menores da Concacaf (Confederação das Américas do Norte, Central e Caribe) também devem se posicionar a favor em breve.

Quem apresentou a proposta foi a federação da Arábia Saudita, no Congresso realizado virtualmente no fim de maio. Na verdade um ato burocrático, já que o movimento para se analisar a ideia partiu do grupo liderado por Wenger, mas que precisava de uma federação bancando. Caso a comissão criada dê o parecer positivo será preciso a aprovação via Congresso, com voto das 211 federações filiadas — são encontros anuais, realizados entre maio e junho e o próximo será em 2022.