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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Veja quem, além da Globo, terá os direitos de transmissão da Copa do Qatar

Galvão Bueno na cabine de transmissão do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, na semifinal da Copa do Mundo em 2014 - Memória Globo: João Miguel Júnior/Globo
Galvão Bueno na cabine de transmissão do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, na semifinal da Copa do Mundo em 2014 Imagem: Memória Globo: João Miguel Júnior/Globo
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

21/07/2021 04h00

A um ano e quatro meses da Copa do Mundo do Qatar, a Fifa vendeu até agora os direitos de transmissão do evento para 189 territórios. O número, que está em documento atualizado em junho e enviado a parceiros, ainda é inferior aos 212 da edição de 2018, na Rússia, e aos 223 de 2014, no Brasil.

Para o público brasileiro o evento pertence à Globo, que mesmo em pendenga jurídica com a federação internacional manteve o contrato para todos os eventos organizados pela Fifa até a Copa de 2022, que será entre novembro e dezembro. A previsão é que a Fifa fature US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) com os direitos de transmissão da Copa do Mundo do Qatar.

A pandemia esfriou negociações, principalmente no mercado asiático, e, segundo apurou a coluna, a estimativa da direção da Fifa é que consiga alcançar número de territórios que assistirão à Copa próximo ao dos Mundiais do Brasil e da Rússia — as plataformas negociadas pela Fifa são TV (aberta e fechada), rádio, internet e mobile.

Normalmente o acordo com a empresa interessada para uma região é fechado com o pacote completo, e depois o comprador revende os direitos para outros interessados, separando por mídia. Na Copa de 2018, por exemplo, a Globo fechou acordos com 16 outras empresas, a maioria rádios, repassando os direitos do torneio — para TV fechou com a Fox, que dividiu com o SporTV a transmissão em fechada.

Em meados de 2020, a emissora carioca alegou necessidades econômicas para renegociar contratos em função da pandemia e suspendeu, por meio de liminar judicial, o pagamento de uma parcela anual do contrato com a Fifa, de US$ 90 milhões, que deveria ter sido pago em 30 de junho do ano passado. A Fifa recorreu, mas a Justiça arquivou a ação.

O caso, portanto, não interferiu na validade do acordo vigente, que mantém para a Globo os direitos de todos os torneios da Fifa até o fim do ano que vem — a emissora já transmitiu, em fevereiro passado, o Mundial de Clubes que teve a participação do Palmeiras.

VELHOS PARCEIROS
A Fifa define os locais a que negocia seus campeonatos como territórios, e não países, porque em alguns casos as vendas ocorrem para regiões que nem autônomas são. Um exemplo é o departamento francês chamado Reunião, uma ilha no Oceano Índico, em águas africanas, que a Fifa cede separadamente dos pacotes oferecidos para a França.

Boa parte dos acordos da Copa 2022 faz parte de um pacote que incluiu a edição 2018. Na América do Sul, por exemplo, com exceção do Brasil, para os outros nove países filiados à Conmebol a Fifa fechou os direitos de seus torneios a um braço da gigante de telecomunicações mexicana Televisa, a Mountrigi Management Group Limited. A Televisa foi envolvida nas acusações de pagamento de propina a cartolas para a venda de campeonatos, o chamado "Fifagate", mas nega as acusações.

A Mountrigi tem sede na Suíça (onde também está a Fifa) e comprou diretamente da Fifa os direitos de transmissão para as Copas da Rússia e do Qatar, em todos os meios, na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Os valores pagos não são conhecidos.

A empresa, então, revende dentro de cada país para emissoras locais. Para o Qatar, por exemplo, a TyC adquiriu os direitos na Argentina, a DirecTV Latin America no Chile, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Uruguai e Paraguai, além de emissoras locais, como a colombiana Caracol.

Nos EUA, os direitos são da Fox e da Telemundo, rede aberta de língua espanhola. Na Europa, a Fifa negocia principalmente para a União Europeia de Radiodifusão, grupo de TVs públicas do continente que depois faz os repasses para emissoras de países menores. Para grandes centros os acordos são feitos diretamente com as principais organizações, como a RAI na Itália, a TF1 na França, a ARD na Alemanha e a BBC no Reino Unido.

A África tem a SuperSport International, um braço da Sky Sports inglesa, como principal compradora para a maioria dos países, com a beIN Sports, subsidiária da qatariana Al Jazeera, logo atrás. A beIN Sports detém a maioria do direitos para Ásia, incluindo, lógico, o país-sede da Copa, o Qatar. Somente 23 territórios asiáticos fecharam até o momento e é o mercado que a Fifa pretende crescer nos próximos meses.

Em 2021, a Fifa vai organizar os Mundiais de Beach Soccer, em agosto na Rússia, e o de futsal, adiado de 2020 por causa da covid-19 e que será entre setembro e outubro na Lituânia. Para o primeiro houve negociação de direitos de transmissão a 136 territórios e para o segundo, a 137.

TERRITÓRIOS/PAÍSES QUE JÁ COMPRARAM A COPA DE 2022 POR CONTINENTES
Europa - 57
África - 54
Américas - 47
Ásia - 23
Oceania - 8