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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Sem Caboclo, Conmebol reparte a organização da Copa América no Brasil

Copa América de 2021 terá quatro cidades brasileiras como sede - Lucas Figueiredo/CBF
Copa América de 2021 terá quatro cidades brasileiras como sede Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

08/06/2021 11h35

Ao assumir interinamente a presidência da CBF, Antônio Carlos Nunes, um dos oito vices, ganha também cadeira no Conselho da Conmebol, já que o afastamento de Rogério Caboclo do comando da confederação brasileira o tira automaticamente do cargo na entidade sul-americana.

Isso não quer dizer que Nunes estará na linha de frente da organização da Copa América, como estava Caboclo, que centralizava as principais decisões principalmente por conversar diretamente com o governo federal, especialmente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A Conmebol decidiu dividir funções na organização do torneio que começa no domingo (13), com Brasil x Venezuela em Brasília — a final será em 10 de julho, no Maracanã. Se já tomava conta da maior parte dos procedimentos, algo atípico em torneios de seleções mas inevitável nessa Copa América, marcada às pressas para o Brasil após as sedes originais, Colômbia e Argentina, desistirem, a confederação sul-americana precisa manter canal aberto com a equipe de Jair Bolsonaro, mas não quer mais um nome apenas nessa função.

Representante da Conmebol no Conselho da Fifa, Fernando Sarney, como Nunes vice da CBF, tomará frente no relacionamento entre Conmebol e CBF sobre a Copa América. Para a intermediação com o governo federal, o secretário-geral Walter Feldman ficará encarregado, tendo ajuda do advogado Castellar Neto, outro vice que é ex-presidente da Federação Mineira e apontado por vários cartolas como favorito a ser o próximo presidente da CBF, se a saída de Caboclo se tornar definitiva.

A Conmebol quer, entretanto, que alguém de perfil técnico a ajude na parte operacional da organização. A CBF avalia nomes de funcionários da casa para assumir a função, mais burocrática.

Como o torneio foi marcado para o Brasil 13 dias antes da abertura, não foi possível criar um COL, o Comitê Organizador Local, empresa que é feita para gerenciar a organização de competições de seleções da Fifa e da Conmebol. Com isso, a Conmebol assumiu funções que normalmente são do COL, como contratação de prestadores de serviço no país sede, melhorias nos estádios e centros de treinamento que serão usados, ativações de marketing, etc. Como são ações feitas no Brasil, os gastos são feitos com o CNPJ da CBF e a Conmebol faz o reembolso.

Sem COL, a Conmebol também criou uma espécie de comitê de emergência para organizar a competição, encabeçado pelo seu diretor de competições de seleções, Hugo Figueredo, e por Iñaki Álvarez, coordenador de operações da Copa América, mas também com a presença de Monserrat Jimenez, diretora jurídica, e de Claudia Cortázar, gerente de marketing.

Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF por 30 dias pelo Comitê de Ética para se defender da acusação de assédio sexual de uma funcionária, revelada pelo Ge.com na sexta-feira (4). Dez entre dez dirigentes do futebol não acreditam que ele volte ao comando da CBF.