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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Caboclo é pressionado a deixar comando da organização da Copa América

Rogério Caboclo, presidente da CBF, em anúncio de novo patrocinador da seleção - Reprodução
Rogério Caboclo, presidente da CBF, em anúncio de novo patrocinador da seleção Imagem: Reprodução
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

04/06/2021 20h01

Rogério Caboclo pode ter que se afastar da organização da Copa América. O torneio, sob pressão com a possibilidade de boicote de jogadores por causa da pandemia, agora convive com a acusação de assédio sexual contra o presidente da CBF e responsável pela articulação que levou a competição ao Brasil.

Há cautela para tratar do assunto, já que haverá uma investigação pela comissão de ética da CBF. Como revelaram Gabriela Moreira e Martín Fernandez no GE.com, uma funcionária acusa Caboclo de insinuações sexuais e de assédio moral, como oferecer a ela um biscoito para cachorros e chamá-la de cadela.

O presidente da CBF nega as acusações, mas mesmo com a investigação das acusações em andamento a avaliação de cartolas é que deixar Caboclo na linha de frente das negociações referentes à Copa América não é o ideal neste momento — há uma forte pressão, mas ele se mostra reticente. A ideia é que outra pessoa assuma essa função pela CBF, co-organizadora com a Conmebol, um dirigente ou até mesmo executivo, mas que tenha principalmente boa interlocução com Tite e até jogadores da seleção.

Aí entra uma situação que também incomodava a cúpula da confederação sul-americana: a possibilidade de a seleção brasileira boicotar a Copa América por divergências com Caboclo. O assunto estourou na noite de quinta-feira (3) como uma bomba no Paraguai, onde está a sede da Conmebol.

Há algumas semanas, a entidade e as associações já monitoravam a possibilidade de alguns jogadores se recusarem a jogar a competição, por causa da pandemia, antes mesmo de a sede sair da Argentina e da Colômbia e ir ao Brasil, no fim de maio. Mas não imaginavam que uma delegação inteira pudesse se rebelar, principalmente a principal delas, a brasileira.

Como o torneio está sendo feito às pressas no Brasil, não foi criado um Comitê Organizador, com um CEO responsável, como é comum nesses campeonatos. A Conmebol assumiu a organização, junto com a CBF, que tem Caboclo, o presidente, como principal articulador. A confederação sul-americana de futebol ainda não se pronunciou sobre as denúncias contra Caboclo.