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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Argentina exige que todas as seleções estejam vacinadas para a Copa América

Governo argentino quer que as seleções estejam vacinadas para a Copa América - Flickr/SES DF
Governo argentino quer que as seleções estejam vacinadas para a Copa América Imagem: Flickr/SES DF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

27/05/2021 18h34

Na reunião que definiu detalhes para que a Copa América seja realizada integralmente na Argentina, na noite de quarta-feira (26), o governo argentino pediu à Conmebol que as delegações das dez seleções participantes estejam vacinadas contra a covid-19 com ao menos uma dose.

Nesta quinta-feira (27), o presidente da confederação sul-americana, Alejandro Dominguez, enviou comunicado aos filiados informando a necessidade "inevitável" de vacinação para a participação na competição. A Conmebol não viu problema no pedido argentino porque recebeu no mês passado 50 mil doses de vacinas contra covid-19 doadas pelo laboratório chinês Sinovac para aplicação na "família do futebol sul-americano". Mas não é tão simples assim.

As 5 mil doses reservadas ao Brasil, por exemplo, não puderam entrar no país ainda porque a legislação não permite. Dos dez filiados, cinco países já vacinam jogadores de seleção e de clubes: Uruguai, Paraguai, Equador, Chile e Venezuela. Na anfitriã Argentina a Coronavac, a vacina da Sinovac, ainda não está aprovada. A Conmebol sugeriu para a CBF que os membros da seleção brasileira sejam vacinados em Assunção, após o confronto de 8 de junho contra o Paraguai, pelas Eliminatórias.

A cúpula da confederação brasileira tende a aceitar a oferta, mas há preocupação da comissão técnica da seleção sobre quando seria aplicada a segunda dose, que precisa ser dada entre 14 e 28 dias após a primeira. Não agrada que jogadores a recebam durante a Copa América.

Depois desse comunicado, entretanto, é improvável que a seleção brasileira não se vacine em Assunção — a maior parte do grupo que estará no Paraguai para as Eliminatórias viajará também para a Copa América na Argentina. Alguns inclusive já se vacinaram, como o técnico Tite, no Brasil por ser do grupo prioritário, e o atacante Neymar, na França onde joga pelo PSG, país que já está imunizando pessoas mais jovens.

A vacina da Conmebol havia sido rejeitada pelo Peru, com o técnico Ricardo Gareca afirmando que seus jogadores não furariam a fila dos prioritários, mas agora deverá ceder. Alguns clubes argentinos, como o River Plate, também rejeitaram a imunização no Paraguai alegando querer esperar a aprovação do produto na Argentina.

Delegações de dois clubes brasileiros se vacinaram em Luque, sede da Conmebol ao lado de Assunção: Atlético-GO e Atlético-MG. Outros, como o Inter, rejeitaram.

O comunicado da Conmebol não deixa claro sobre o que ocorrerá com uma delegação, ou membro individual de algum seleção, que não aceite receber o imunizante. Anteriormente a confederação informou que não seria obrigatório tomar a vacina para participar de seus campeonatos, tanto de clubes quanto a Copa América.

Uma reunião entre Alejandro Dominguez e o presidente da Argentina, Alberto Fernández, definiu detalhes para que a Copa América seja realizada totalmente na Argentina entre 13 de junho e 10 de julho. O torneio inicialmente teria a Colômbia como sede conjunta, mas o país deixou a organização na semana passada por causa dos protestos políticos que assolam a região.

Para assumir os 15 jogos que seriam realizados na Colômbia (são 28 no total), os argentinos exigiram um protocolo sanitário rigoroso, incluído a vacinação de todos os membros das delegações. Não há previsão de público nos estádios, apesar de a Conmebol ainda acreditar que possa convencer os argentinos a abrir parte do estádio na final em 10 de julho, que deve ser no Monumental de Nuñez. Só com vacinados e com teste RT-PCR negativo para covid-19.