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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Copa América na Colômbia abre crise e Chile e Argentina apresentam plano B

Técnico do River Plate, Marcelo Gallardo, é atingido pelo gás lacrimogêneo - Daniel Munoz POOL/EFE
Técnico do River Plate, Marcelo Gallardo, é atingido pelo gás lacrimogêneo Imagem: Daniel Munoz POOL/EFE
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

14/05/2021 10h15

A reunião virtual do Conselho da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) que decidiu nesta quinta-feira (13) manter a Copa América na Colômbia foi tensa. Não houve unanimidade entre os membros e havia duas propostas para substituição de sede — o torneio começa em 13 de junho, na Argentina, que divide a organização com os colombianos.

Apesar de a entidade ter bancado a Colômbia, que vive dias de caos com protestos violentos contra o governo, ainda existe pressão para que o torneio não ocorra por lá. As imagens de jogadores do América de Cali e do Atlético-MG sofrendo por causa do gás lacrimogêneo lançado por policiais contra manifestantes nas imediações do estádio em Barranquilla, em jogo pela Libertadores na noite desta quinta-feira, assustaram os dirigentes.

Brasil, Peru, Equador e Venezuela, que jogarão a primeira fase na Colômbia, avaliam enviar pedido formal por garantias de segurança ou troca de sede. Na reunião, duas propostas foram apresentadas: alterar a Colômbia pelo Chile, que usaria parte da estrutura da Copa América-2015, ou realizar toda a competição na Argentina, que já tem quatro estádios prontos para o torneio.

Os chilenos deram a opção de quatro arenas, que substituiriam as quatro cidades (Bogotá, Barranquilla, Medellín e Cali) colombianas: os estádios Nacional e Monumental (do Colo-Colo), em Santiago, o Sausalito, em Viña del Mar e o El Teniente, em Rancágua. Os times ficariam concentrados na capital chilena, com deslocamentos curtos para jogar.

Já a Argentina garantiu que consegue absorver as partidas marcadas hoje para a Colômbia e também deu quatro estádios como opções, todos na região de Buenos Aires para evitar viagens demoradas: La Bombonera, Nuevo Gasômetro, El Cilindro e Libertadores de América, estes dois últimos em Avellaneda. Os argentinos lembraram que essas quatro arenas passaram recentemente por vistoria da Conmebol porque eram candidatas a receber as finais da Libertadores e da Sul-Americana e necessitariam de mínimos ajustes.

Por que na Colômbia?
Não houve acordo pela substituição, atendendo a vontade do presidente da confederação sul-americana, Alejandro Dominguez. Ramón Jesúrun, mandatário da Federação Colombiana, é hoje um dos principais aliados de Dominguez. Em março, durante o Congresso, ele foi reconduzido como um dos quatro representantes da Conmebol no Conselho da Fifa como candidato único. A falta de concorrência pelo cargo gerou até piada do presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante o encontro virtual quando ele brincou que "esperava uma disputa apertada na eleição do membro do Conselho".

Mas a insistência em manter a Colômbia como sede da Copa América não é só política, mas econômica também. A menos de 30 dias do início do campeonato, a Conmebol já contratou serviços terceirizados no país para organizar o torneio e migrar isso para outra localidade, mesmo que seja a Argentina, vai gerar custos extras. A entidade já viu frustrada a ideia de ter público na Copa América e projeta prejuízo mesmo se não mudar a sede.

Há também acordos comerciais amarrados com patrocinadores que farão ativações na Colômbia e isso poderia gerar multas contratuais milionárias.

Na reunião, o Uruguai apresentou reclamação formal do Nacional por ter tido dificuldade de sair do hotel em Pereira, na noite de quarta (12), por causa dos protestos. O confronto contra o Atlético Nacional, pela Libertadores, teve o horário adiado, mas ocorreu mesmo em meio ao caos. Também na quarta, River Plate e Santa Fé, que atuaram no mesmo estádio que o Atlético-MG em Barranquilla, o Romelio Martinez, sofreram com o gás lacrimogêneo. A arena é "vazada" na arquibancada, por isso o produto lançado na rua chega facilmente ao campo.

Dirigentes estão irritados com a insistência da Conmebol em marcar jogos da Libertadores e da Sul-Americana na Colômbia para tentar legitimar a realização da Copa América. Por enquanto, a confederação não pretende ceder a pressão e trocar a sede. Por enquanto...

A Copa América
O regulamento prevê dois grupos de cinco seleções com a presença dos dez países filiados à Conmebol -- os convidados Qatar e Austrália desistiram de participar por causa das restrições de viagens durante a pandemia. Todos jogam contra todos na chave e os quatro primeiros avançam para as quartas de final -- somente um é eliminado, portanto. O Grupo A tem sede na Argentina com os anfitriões, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia. No B, na Colômbia, estão os donos da casa, Brasil, Peru, Venezuela e Equador.

O jogo de abertura, em 13 de junho, é Argentina x Chile, no Monumental de Nuñez em Buenos Aires. O Brasil estreia dia 14, uma segunda-feira, contra a Venezuela em Medellín. Depois joga dia 18 frente o Peru em Cali, dia 24 diante da Colômbia em Barranquilla e no dia 28 encara o Equador em Bogotá. Se ficar nas duas primeiras colocações, joga as quartas na Colômbia, mas se terminar em terceiro ou quarto vai à Argentina.

A final será dia 10 de julho, um sábado, em Barranquilla (Colômbia).