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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Libertadores com VAR na fase de grupos em 2022 depende da Copa América

Árbitro Esteban Ostojich analisa VAR em Palmeiras x River pela Libertadores-2020 - REUTERS/Amanda Perobelli
Árbitro Esteban Ostojich analisa VAR em Palmeiras x River pela Libertadores-2020 Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

28/04/2021 04h00

A diminuição nas receitas em 2020 por causa da pandemia impediu que a Conmebol colocasse o VAR funcionando desde a fase de grupos na Libertadores em 2021, como era planejado pela confederação. O projeto migrou para 2022, mas vai depender do desempenho financeiro este ano e a Copa América será a fiel da balança.

Se o torneio de seleções puder, por exemplo, ter ao menos 30% de público nos estádios e venda de pacotes de hospitalidade (áreas VIPs e camarotes), ele pode gerar US$ 28 milhões (R$ 152 milhões) para a Conmebol. Isso criará uma folga financeira em 2021 que vai repercutir em 2022 e facilitar a utilização do árbitro de vídeo desde a fase de grupos na Libertadores e também na Sul-Americana, que agora deixou de ser totalmente eliminatória.

O problema é que há cautela dos governos da Argentina e da Colômbia, países que dividirão a sede da Copa América, em garantir a presença de público nos estádios. O presidente colombiano, Ivan Duque, garantiu na semana passada a realização do torneio, mas ressaltou que será sem torcida.

Internamente a Conmebol avaliou a declaração como um aceno momentâneo de Duque à opinião pública do país, que está reticente com a realização da Copa ainda mais com público presente. Há negociação para que haja venda de ingressos nas duas nações e acordo de que só haverá torcedores se ambos permitirem, por questão de isonomia. A ideia é que somente pessoas que residam na Argentina e na Colômbia possam comprar as entradas.

A Conmebol passou a utilizar o VAR na Libertadores em 2018, nas quartas de final. Desde 2019 a tecnologia é usada a partir das oitavas de final, mas o plano para 2021 era que na fase de grupos, que reúne 32 times divididos em oito grupos, o árbitro de vídeo já aparecesse. Isso foi antes da pandemia.

A Conmebol teve um prejuízo em 2020 de US$ 14 milhões (R$ 76 milhões) e houve queda de receita em todas as áreas. Por exemplo: o faturamento com as competições caiu 32%, de US$ 487 milhões em 2019 para US$ 329 milhões. Mas o adiamento da Copa América de 2020 para 2021 foi o principal motivo para o rombo, já que não entraram na conta da entidade mais de US$ 100 milhões de contratos comerciais e de direito de transmissão.

Em 2020, a Conmebol gastou US$ 1,67 milhão com o VAR nas competições em que o utilizou: Libertadores e Sul-Americana a partir das oitavas e na Recopa. Para ampliar o uso para as fases de grupos de seus dois principais torneios em 2022, a Conmebol projeta que o valor aumente em até três vezes, para cerca de US$ 4,8 milhões.