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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Covid tira árbitros brasileiros de escalas da Libertadores e Sul-Americana

Wilton Pereira Sampaio é considerado árbitro da elite pela Conmebol - GettyImages
Wilton Pereira Sampaio é considerado árbitro da elite pela Conmebol Imagem: GettyImages
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

23/04/2021 04h00

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) não escalou árbitros brasileiros nas duas primeiras rodadas dos grupos das Copas Libertadores e Sul-Americana. São 64 jogos no total, em confrontos disputados nesta e na próxima semana por todo o continente.

A coluna apurou que há preocupação com a covid-19 e optou-se por não convocar os brasileiros agora. No ano passado, quando a Libertadores retornou em setembro, após parar em março por causa da pandemia, foi criada uma bolha para a arbitragem, o que não se repetiu desta vez.

Em 2020, a Conmebol escalou equipes de árbitros que se deslocaram e ficaram "morando" em hotéis nos países designados por várias semanas, entre meados de setembro e o fim de outubro, até o fim da fase de grupos. Com isso tentou-se evitar que as contaminações atrapalhassem o andamento do torneio. Na época a confederação também evitou, por algumas rodadas, escalar brasileiros.

Para 2021 a direção da Conmebol avaliou ser difícil repetir a bolha porque as fases de grupos da Libertadores e da Sul-Americana (esta uma novidade) ocorrerão simultaneamente, com 32 confrontos semanais, por seis semanas seguidas. Com muitos jogos em cada país tornou-se difícil criar uma logística que isolasse árbitros em cada um dos dez países.

Há preocupação no restante do continente com o alto número de casos no Brasil e principalmente com a variante de covid-19 que surgiu no país. A Conmebol criou um protocolo, aprovado por todos os governos, que libera a entrada e saída facilitada das delegações de cada um dos países, e isso inclui as equipes de arbitragem. Por isso os profissionais brasileiros não teriam problema em trabalhar nesses jogos, como fizeram nas fases preliminares.

Wilton Pereira Sampaio trabalhou em dois confrontos na chamada "pré" Libertadores e Raphael Claus e Bruno Arleu em um cada. Para a fase de grupos, porém, a Conmebol optou por evitar brasileiros, por enquanto, com medo de que testes positivos exijam mudanças de escalas de última hora, o que seria um transtorno com muitas partidas por rodada. Também há o temor de que governos proíbam jogos, como já aconteceu recentemente em Quito, quando houve veto para Del Valle x Grêmio após atletas do time brasileiro darem positivo para covid-19 já em território equatoriano.

Árbitros dos outros nove países participantes dos dois torneios apareceram nas escalas das duas rodadas, inclusive bolivianos e equatorianos, hoje internamente considerados os quadros mais fracos do continente.

Por outro lado, o Uruguai se consolidou como a federação com a melhor arbitragem do continente, na visão da confederação sul-americana. Doze jogos nessas duas primeiras rodadas tiveram uruguaios escalados.

Não colocar brasileiros neste momento frustra a Conmebol, que tem dois profissionais, Wilton Pereira Sampaio e Raphael Claus, considerados da elite por suas atuações. Eles foram inclusive convocados para a Copa América, que será disputada entre junho e julho na Argentina e na Colômbia.