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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Globo gosta de Paulistão noturno aos sábados para enfrentar Record e Band

Gustavo Gómez comemora gol do Palmeiras em Volta Redonda - Cesar Greco
Gustavo Gómez comemora gol do Palmeiras em Volta Redonda Imagem: Cesar Greco
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

30/03/2021 11h00

A Globo gostou da proposta feita pela direção da Federação Paulista de Futebol ao Ministério Público de marcar a maioria dos jogos do Paulistão, principalmente dos grandes clubes, para depois das 20h, inclusive aos finais de semana. Se houver acordo entre as autoridades, a emissora deve colocar o campeonato em sua grade aos sábados, entre 21h30 e 22h, para combater duas concorrentes que investiram no esporte em 2021:

1) A Record comprou os direitos do Campeonato Carioca, que a Globo transmitia até 2020. A emissora paulista tem passado jogos às terças e sábados à noite, mas tem limitado as praças para onde essas imagens chegam, gerando até algumas críticas.

Com o Paulistão o sábado à noite, a Globo concorreria diretamente com o Carioca com a diferença de que praças no Nordeste, por exemplo, teriam a transmissão desses jogos. Um dos primeiros pode ser até o clássico entre São Paulo x Palmeiras, atrasado da quinta rodada.

2) Jogos aos sábados à noite significa matéria especiais e repercussão no Esporte Espetacular aos domingos pela manhã, o que para a Globo significa concorrer diretamente com a TV Bandeirantes e o Show do Esporte.

A Band terá, dentro do programa, transmissões ao vivo da Fórmula 1, por exemplo, evento que até o ano passado era da Globo e mostrou bom potencial de audiência na primeira prova do ano, domingo passado no Bahrein.

Os jogos aos sábados seriam pós-novela das 21h e do Big Brother Brasil (BBB) — partidas marcadas entre 21h30 e 22h, já que o reality tem grade flexível aos sábados sem provas do líder ou eliminações. A emissora gostaria que o campeonato não parasse já que tem contratos comerciais a cumprir e o Paulista, junto com a Copa do Brasil, é seu principal torneio nesses primeiros meses da temporada 2021.

Como antecipou o blog, a direção da FPF propôs ao Ministério Público que a maioria dos jogos do Paulistão ocorra após às 20 horas, inclusive aos finais de semana — depois do horário de toque de recolher imposto pelo governo paulista, das 20h às 5h durante o período emergencial.

Isso, teoricamente, evitaria as aglomerações em locais públicos para assistir aos jogos, que é o principal argumento dos promotores para pedir a suspensão do campeonato. Também foi proposta uma "bolha", onde jogadores e funcionários ficariam mais tempo isolados em CTs e hotéis.

Uma reunião ocorreu na noite de segunda-feira (29) e, segundo apurou o blog, a receptividade dos promotores foi melhor do que em encontros anteriores, mas ainda não é certo que eles mudarão a recomendação dada ao governo João Doria de parar o futebol. A decisão final sempre cabe ao governador.

O Paulistão foi interrompido na quarta rodada, após o governo de São Paulo acatar sugestão dos promotores que pediram a paralisação dos jogos durante a fase emergencial, que visa diminuir a contaminação por covid-19. Duas partidas foram realizadas em Volta Redonda (RJ), na semana passada: São Bento 1 x 1 Palmeiras, atrasada da terceira rodada, e Mirassol 0 x 1 Corinthians, válida pela quinta rodada.

O governo de São Paulo ampliou de 28 de março para 11 de abril a fase emergencial, incluindo o futebol, o que embaralhou de vez o calendário do campeonato que deveria terminar em 23 de maio.

Se não houver recuo das autoridades paulistas, dificilmente a FPF vai conseguir encerrar o torneio na data estipulada, mesmo se colocar os grandes para jogar três vezes por semana junto com partidas de outros torneios, como Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana. Uma alternativa seria continuar jogando fora de São Paulo, mas a logística é bem complicada.