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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Fifa vai sugerir que Conmebol adie Eliminatórias de março para 2º semestre

Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Alejandro Dominguez, da Conmebol, tentam achar solução para jogos das Eliminatórias - CARL DE SOUZA / AFP
Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Alejandro Dominguez, da Conmebol, tentam achar solução para jogos das Eliminatórias Imagem: CARL DE SOUZA / AFP
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

03/03/2021 10h31Atualizada em 03/03/2021 10h32

A direção da Fifa pretende sugerir à cúpula da Conmebol que a rodada de março das Eliminatórias para a Copa do Qatar-2022 na América do Sul seja cancelada. Será dada uma opção: que os jogos deste mês (dois para cada seleção) sejam diluídos em outras datas Fifa até março de 2022, quando a Conmebol pretende terminar a competição.

Os presidentes Gianni Infantino e Alejandro Dominguez têm conversa virtual agendada para esta quinta-feira (4). A Conmebol não deve aceitar a ideia, apurou o blog, e vai bater o pé para que a Fifa pressione os clubes europeus a liberarem seus jogadores para que possam vir à América do Sul no fim deste mês. Como mostrou o jornalista Rodrigo Mattos em seu blog nesta quarta (3), a Fifa está tendo dificuldade nisso.

Alguns países estão aumentando as restrições de viagem e exigências de isolamento devido ao crescimento de casos de Covid-19 registrados principalmente no Brasil. A Fifa manteve para 2021, por causa da pandemia, alteração temporária na regra que desobriga clubes a liberarem atletas às seleções. Mesmo assim, a Conmebol quer que a entidade os pressione a liberar, o mesmo que fez em outubro de 2020 quando a competição começou após cancelamentos nas datas de março e setembro.

A seleção brasileira, que tem a base de seu elenco formada por atletas que atuam na Europa, tem jogos marcados para 26 de março, contra a Colômbia em Barranquilla, e 29 de março diante da Argentina, no Recife. Tite deveria convocar a seleção até esta sexta-feira, 5 de março, mas a indefinição de quem poderá viajar e se haverá os jogos deixou a situação em aberto.

A Fifa vai sugerir que as rodadas de março sejam distribuídas nas datas Fifa seguintes — menos na de junho, já que logo depois começará a Copa América. A entidade mundial abriria exceção para que a Conmebol realizasse três, e não duas partidas, nessas datas. Isso já tem sido feito por outras confederações. África, Ásia, Américas do Norte e Central e Oceania, por exemplo, poderão fazer quatro jogos na data Fifa de maio e junho de 2021 — Europa terá três partidas na de agosto e setembro. O período que os jogadores ficam disponíveis às seleções aumenta nesses casos em um ou dois dias.

À Conmebol e às confederações sul-americanas não agrada essa solução principalmente por uma questão comercial: acordos de direito de transmissão, que estavam travados, começaram a ser fechados justamente para essa rodada de março.

No Brasil, por exemplo, a TV WA (TV Walter Abrahão) comprou os direitos de todas as partidas, com exceção dos jogos de Brasil e Argentina como mandantes, que são do Grupo Globo. A TV WA negocia com veículos de diversas plataformas o repasse dessas transmissões e o cancelamento da rodada de março atrapalharia isso.

A Fifa, segundo apurou o blog, descartou oferecer à Conmebol outras duas ideias levantadas informalmente por cartolas europeus: que os times sul-americanos viajassem à Europa para cumprir essa tabela, já que a maioria dos convocados saem de lá; ou que as seleções convocassem somente atletas que atuam dentro de seus países.

A primeira foi considerada inócua já que comissões técnicas e alguns atletas locais teriam que viajar do mesmo jeito e passar por quarentenas inviáveis. A segunda, para a Fifa, desequilibraria tecnicamente a competição.