PUBLICIDADE
Topo

Marcel Rizzo

Como a queda do avião da Chapecoense aproximou Palmeiras e Conmebol

Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, e Alejandro Domínguez, da Conmebol - Divulgação
Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, e Alejandro Domínguez, da Conmebol Imagem: Divulgação
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

12/01/2021 04h00

Se o River Plate, adversário do Palmeiras nesta terça-feira (12) pela semifinal da Libertadores, é hoje o clube mais influente dentro da Conmebol, como já contou o blog, os paulistas também mantêm uma ótima relação dentro da confederação sul-americana. Relacionamento que nasceu após uma tragédia.

Na madrugada de 28 para 29 de novembro de 2016, o avião que levava a delegação da Chapecoense a Medellín, na Colômbia, para jogar a final da Sul-Americana contra o Atlético Nacional caiu pouco antes de aterrissar.

Faltou combustível, soube-se depois, matando 71 pessoas, entre tripulantes, jogadores, membros da comissão técnica, dirigentes, políticos, simpatizantes do clube e jornalistas. Seis pessoas sobreviveram. Os dias pós desastre foram caóticos, principalmente dentro da Conmebol, e alguns clubes ajudaram de diversas formas. O Palmeiras foi provavelmente o principal deles.

A diretoria do Palmeiras, ainda presidida por Paulo Nobre naquela altura, cedeu seu corpo jurídico para ajudar a Chapecoense, que havia perdido quase toda sua cúpula, a resolver problemas junto com a confederação. Definições sobre valores que seriam repassados, por exemplo, e a declaração do título da Sul-Americana, em 5 de dezembro, mesmo sem jogar.

Em 26 de novembro de 2016, pouco menos de três dias antes da queda do avião, portanto, sócios do Palmeiras elegeram Maurício Galiotte como sucessor de Paulo Nobre. Então vice-presidente, Galiotte assumiria somente em 15 de dezembro, mas teve com Nobre participação ao ajudar o novo comando da Chape em tratativas burocráticas necessárias com a Conmebol.

A confederação precisou também de apoio nos bastidores ao declarar a Chape campeã da Sul-Americana, o que garantiu vaga direta na Libertadores-2017, o que mesmo com toda a comoção das mortes poderia gerar indisposições de dirigentes. O Palmeiras ajudou nessas negociações.

Galiotte, nesse momento, se aproximou do presidente da confederação sul-americana, o paraguaio Alejandro Dominguez, com quem mantém boa relação até hoje. Em outubro de 2018, antes das semifinais da Libertadores, o cartola palmeirense foi um dos articuladores, junto com Rodolfo D'Onofrio, presidente do River Plate, de um jantar na casa de Dominguez em Assunção, no Paraguai.

O evento, pouco usual, juntou os cartolas dos quatro semifinalistas daquela edição: além de Galiotte e D'Onofrio estiveram Daniel Angelici, do Boca Jrs, e Romildo Bolzan, do Grêmio, além de diretores da Conmebol e do presidente da CBF, Rogério Caboclo. Em atrito com a Conmebol naquela época, dirigentes da AFA, a CBF argentina, não foram convidados.

A gratidão, digamos, da direção da Conmebol ao Palmeiras passou também pela ajuda que o clube paulista deu na reconstrução da Chapecoense para a temporada 2017. Fez um amistoso em janeiro, o primeiro jogo pós-acidente, e emprestou jogadores, o que na visão da cúpula da Conmebol diminuiu o tempo que o clube catarinense demorou para voltar às atividades normais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.