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Marcel Rizzo

Por que CR7 e Messi finalistas do "The Best" não deveria ser surpresa

Cristiano Ronaldo, da Juventus, e Lionel Messi, do Barcelona, se enfrentaram pela Liga dos Campeões nesta semana                             - AFP
Cristiano Ronaldo, da Juventus, e Lionel Messi, do Barcelona, se enfrentaram pela Liga dos Campeões nesta semana Imagem: AFP
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

12/12/2020 04h00

O modelo de votação que a Fifa aplica em seu prêmio de melhor jogador do mundo, o "The Best", facilita que os mesmos sejam sempre escolhidos. Não deveria causar surpresa, portanto, que Messi e Cristiano Ronaldo apareçam em 2020 mais uma vez como finalistas, desta vez ao lado do polonês Lewandowski. Ainda mais em um ano pandêmico.

A votação para o "The Best" se baseia numa lista de dez nomes, escolhidos previamente por um painel de especialistas da Fifa e que depois vai ao escrutínio de quatro grupos: capitães e técnicos das 211 seleções filiadas à Fifa, jornalistas e torcedores via site da federação internacional. Isso faz com que os nomes mais conhecidos sejam favorecidos, principalmente com o voto dos capitães e treinadores.

Estamos falando aqui de um colégio eleitoral diverso: temos atletas e técnicos consagrados e influentes, mas também amadores que, na hora de votar, escolhem muito mais pelo coração, como torcedor, do que pela razão.

Se jornalistas tendem a ser mais imparciais (há exceções, claro), o quarto grupo, o torcedor, que detém 25% de peso na escolha, vota também mais pelo coração do que pela razão. Com base nesse colégio eleitoral diversificado (capitães e técnicos da seleções, imprensa e fãs) sai o resultado que, muitas vezes, é considerado injusto por quem acompanha atentamente dezenas de jogos todas as semanas.

Todo ano, em reuniões do Conselho da Fifa, se discute alterar o modelo, mas esbarra na vontade principalmente do presidente, Gianni Infantino, de dar voz a pessoas que normalmente estão na periferia do futebol — e, claro, que a cada quatro anos escolhem quem vai presidir a entidade.

E esta temporada teve um agravante, que deve ser levado em consideração: a pandemia de Covid-19. Torneios foram interrompidos, bolhas foram criadas, times perderam atletas contaminados, torcedores não estiveram nos estádios e a própria Fifa ampliou as datas para se analisar o desempenho dos atletas, de 20 de julho de 2019 a 7 de outubro de 2020 (normalmente é de julho a julho).

A Premier League, o campeonato inglês, por exemplo, começou sua temporada 2020/2021 em 12 de setembro, ou seja, pela regra da Fifa se poderia analisar desempenho de atletas em duas temporadas do torneio. Nessa bagunça toda o voto, digamos, conservador tende a se fortalecer.

Em ano pandêmico, em que o futebol parou e voltou de uma maneira nunca antes vista, é cômodo a quem escolhe dar o voto de segurança e Lionel Messi e Cristiano Ronaldo ainda são essa escolha natural.

Para Neymar, ausência mais sentida entre os três finalistas, fica a dúvida se seria escolhido caso o PSG tivesse vencido a Liga dos Campeões. Mas é provável que ele ocupasse o lugar de Lewandowski, não de Messi ou Ronaldo.