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Marcel Rizzo

Ceni impôs ao Flamengo duas condições antes de fechar o contrato

Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

10/11/2020 09h00Atualizada em 10/11/2020 20h36

Ainda na noite de domingo (8), depois da goleada sofrida para o Atlético-MG por 4 a 0, a diretoria do Flamengo entendeu que Rogério Ceni era o nome ideal para substituir Domènec Torrent. Agiram rápido, e ele já foi anunciado hoje (10) como novo comandante rubro-negro.

Na primeira sondagem a uma pessoa que trabalha com Ceni, a resposta dada foi que o treinador só conversaria após duas condições: 1) se o cargo na Gávea estivesse vago, ou seja, por respeito a Torrent, Ceni não negociaria com ele ainda trabalhando; 2) que os cartolas flamenguistas entrassem em contato com o Fortaleza, comunicassem o interesse e que avisassem que pagariam a multa rescisória de R$ 960 mil.

O Flamengo entendeu a mensagem e, mesmo sem ainda ter 100% de certeza que Ceni aceitaria uma oferta (até porque não haviam tratado de salário, tempo de contrato e bonificações), decidiu demitir Torrent na manhã de segunda (9), mesmo com o técnico e sua comissão se preparando para dar o treinamento. Já comunicar ao Fortaleza ficou a cargo mesmo de Ceni, o que chateou o presidente Marcelo Paz.

Ele confirmou ao blog que ninguém do Flamengo o procurou, o que ele achou estranho porque tem boa relação principalmente com Bruno Spindel, diretor-executivo de futebol. Coube a Ceni avisar que tinha recebido a proposta e aceitaria (pagando a multa).

A negociação com Ceni e Fortaleza após saída de Dome, entretanto, não foi fácil por um motivo: logística. O time cearense jogou em Curitiba contra o Athletico no sábado (7), ficou domingo no Paraná e viajou na segunda para Salvador, onde na quarta enfrenta o Bahia. Entre Curitiba e a capital baiana houve uma parada em São Paulo. Ou seja: o contato entre os clubes e com o técnico precisou ser interrompido várias vezes.

Pela manhã, como mostrou o blog ontem, a diretoria do Fortaleza confiava que Ceni resistiria ao assédio flamenguista. Um dos motivos era a experiência ruim que o técnico teve em 2019, quando deixou o Pici rumo ao Cruzeiro e foi demitido oito jogos e pouco mais de um mês depois.

Mas havia outra questão que dava uma certa tranquilidade aos fortalezenses, algo que era proibido falar em voz alta: a certeza de que Ceni seria o técnico do São Paulo em 2021 ao fim de seu contrato.

A proposta do Flamengo, entretanto, foi irrecusável e não apenas financeiramente. No Fortaleza a impressão foi a de que somente o Flamengo, com o melhor elenco do Brasil, tiraria hoje o ex-goleiro do clube. E foi o que aconteceu.

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