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Marcel Rizzo

Estadual é ruim? Imagine emendado com o Brasileiro e com times reservas

Éderson protege a bola contra a marcação de Felipe Melo na final paulista de 2020 entre Palmeiras x Corinthians - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Éderson protege a bola contra a marcação de Felipe Melo na final paulista de 2020 entre Palmeiras x Corinthians Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

20/08/2020 16h42

Não precisa ter uma bola de cristal para saber o que os clubes da Série A farão no início dos Estaduais em 2021, que começarão apenas quatro dias depois do fim do Brasileiro: colocarão times mistos em campo. E não adianta as federações limitarem inscritos. É desumano imaginar que atletas jogarão sem parar de junho de 2020 a fevereiro de 2021 e não terão descanso.

Manter os Estaduais com 16 datas em 2021, emendando os torneios no Brasileiro, pode ser um tiro no pé para a CBF e para suas federações estaduais. Os desvalorizados torneios só existem ainda nos principais mercados, ou seja, onde têm times da elite porque a TV (leia-se a Globo) coloca dinheiro. E a emissora só paga porque, em tese, terá os melhores jogadores em campo.

A rescisão unilateral do contrato da Globo com o Carioca este ano ainda terá capítulos judiciais, mas foi o pontapé inicial para uma remodelação desses torneios. Não acho que os Estaduais acabarão ou que devam acabar, apenas que é preciso torná-los atrativos. Hoje, com 16 datas, não é.

A Globo paga a cada um dos quatro grandes de São Paulo cerca de R$ 25 milhões por ano para exibir o Paulista. Quem, em sã consciência, abre mão de um valor desses? Ninguém. Por isso que Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos jogam de fevereiro a maio um campeonato que só anima na reta final.

Vale pela rivalidade? Talvez. Mas você terá Palmeiras x Corinthians no Brasileiro, com possibilidades de encontros na Copa do Brasil ou Libertadores. Não é melhor em março ter um Palmeiras x Flamengo do que um Palmeiras x São Bernardo em uma quarta à noite perdida?

O contrato da Globo com a Federação Paulista vale até a edição de 2022, portanto até lá não haverá mudança. Depois, sim, com repercussão em outros estados (o que a rescisão do Carioca pode até antecipar). Não vejo a Globo pagando por um produto no formato atual, longo, cheio de jogo desinteressante. O Estadual terá que se reinventar e isso poderia ter começado em 2021.

Um calendário apertado com jogos vindo de 2020, por causa da pandemia, deu a chance para se criar um modelo mais enxuto, pelo menos para os grandes, que interesse a TVs e patrocinadores. Fizeram isso? Claro que não.

Só que desta vez acho que vão pagar pelo erro. Será inevitável que os times da Série A comecem os Estaduais com atletas reservas misturados com aqueles que jogaram menos o fim de temporada. Um torneio que já vem se desvalorizando ano a ano vai se transformar num desinteressante confronto entre times sem estrelas com outros preservando seus talentos.

No Paulista, a Globo terá que transmitir por contrato. Mas e em outros estados? Talvez a teimosia da cartolagem ajude a ajeitar o calendário à força.