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Marcel Rizzo

Fifa vê Globo com maior audiência do mundo na Copa, e ruptura não interessa

Galvão Bueno na cabine de transmissão do Estádio Mineirão em Belo Horizonte na semifinal da Copa do Mundo em 2014 - Memória Globo: João Miguel Júnior/Globo
Galvão Bueno na cabine de transmissão do Estádio Mineirão em Belo Horizonte na semifinal da Copa do Mundo em 2014 Imagem: Memória Globo: João Miguel Júnior/Globo
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

18/08/2020 04h00

Em meio a uma disputa jurídica com a Globo por causa do não pagamento de parcela do contrato, a Fifa enviou a seus filiados relatório detalhado da audiência da Copa do Mundo de 2018, na Rússia. E o texto cita a emissora brasileira como a que "de longe" teve a maior média de audiência entre as televisões mundo afora.

Segundo o documento, a Globo alcançou média de 23,7 milhões de espectadores por hora, bem à frente da segunda colocada, a russa Channel One, com 14,3 milhões. A medição é feita com base em jogos transmitidos ao vivo, mas também reprises e programas que tenham noticiário do Mundial.

Os números do relatório foram enviados à Fifa por agências oficiais dos países com dados de audiência, com ajuda da Publicis Media Sport & Entertainment (PMSE), empresa especializada em diagnósticos do alcance de eventos desportivos, e compilados pelo departamento da entidade que vende os direito de transmissão.

Esses números comprovam algo que é falado nos bastidores da Fifa e da Globo: a pendenga jurídica não deve fazer com que os parceiros rompam definitivamente. Enquanto a emissora não gostaria de perder a Copa do Mundo de 2022, o filé do contrato vigente (que tem também Mundial de Clubes, torneios de base, etc), a federação internacional sabe que hoje a única emissora aberta com alcance no Brasil para valorizar seu produto é a Globo.

Mesmo assim a Fifa recorreu da decisão da Justiça do Rio de Janeiro que suspende o pagamento da Globo pelo contrato. A emissora carioca alega necessidades econômicas de se renegociar contratos em função da pandemia. O valor suspenso corresponde à parcela anual desse contrato, de US$ 90 milhões (R$ 495 milhões) e deveria ter sido pago em 30 de junho. O caso será julgado na segunda instância pela 14ª Câmara Cível do Rio.

Em contato com o blog em junho, logo depois de a Globo conseguir na Justiça frear o pagamento da parcela por meio de liminar, um porta-voz da Fifa disse que esperava que a emissora honrasse com o pagamento e que a entidade apoiava os parceiros e tentava um diálogo construtivo. Dava a entender, portanto, que não ficaria inerte.

Mas se a Fifa acha a Globo seu melhor parceiro para o Brasil por que brigar na Justiça? O blog apurou que essa atitude serve para dar recado a outras empresas parceiras que poderiam tentar a mesma manobra. A entidade avalia que o caso deva chegar na Corte Arbitral da Suíça, onde aí sim as partes sentarão para conversar e um acordo pode sair.

Copa do Mundo no sofá da sala

Se conhecia até agora somente o número total da audiência da Copa-2018, 3,57 bilhões de espectadores. Os números destrinchados, porém, mostram que a grande maioria, 3,26 bilhões, continua sendo de pessoas que veem as partidas em suas casas em televisores. O restante, 310 milhões, se divide em acompanhar os jogos em eventos abertos, como Fan Fests, bares ou restaurantes e por streaming em celulares, tablets ou computadores.

O jogo mais visto, como sempre, foi a final. França 4 x 2 Croácia teve audiência de 1,12 bilhão de pessoas. O Brasil teve dois jogos entre os mais assistidos, contra o México (7º) e frente a Bélgica (8º).