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Marcel Rizzo

Por que clubes assinaram acordo internacional do Brasileiro por valor baixo

Jogadores do Athletico comemoram gol na estreia do Brasileiro, contra o Fortaleza. Partida só passou para o exterior - Pedro Chaves/AGIF
Jogadores do Athletico comemoram gol na estreia do Brasileiro, contra o Fortaleza. Partida só passou para o exterior Imagem: Pedro Chaves/AGIF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

11/08/2020 11h45

O contrato da venda dos direitos internacionais de transmissão do Brasileiro tem um valor fixo baixo que não importou aos clubes. Por quê? Primeiro porque até o ano passado não existia essa receita e segundo porque há expectativa de que o variável, ou seja, o que os clubes receberão com base no lucro que os parceiros obtiverem vendendo o campeonato mundo afora valerá a pena.

Os valores não foram divulgados, mas o blog apurou que para os participantes da Série A o mínimo recebível será na casa dos R$ 2 milhões — o contrato é de quatro anos (temporadas 2020 a 2023). Comparado com o que alguns clubes recebem anualmente para os direitos vendidos nacionalmente, que passam dos R$ 100 milhões, é irrisório o valor fixo dos contratos internacionais, mas a aposta é a médio prazo.

Cada novo real conseguido pelas empresas Global Sports Rights Management (GSRM) para os direitos em TVs abertas e fechadas, internet e streaming e pela Zeus Sports Marketing/Stats Perform para direitos com audiência em transmissão por sites de aposta será dividido meio a meio com os clubes. O valor fixo total do acordo para ser distribuído entre os 20 clubes da Série A e os 20 da Série B é de R$ 219 milhões, a maior parte para a elite.

"Os clubes são sócios do contrato. Serão remunerados com base nos valores de venda do produto. É diferente dos contratos nacionais, nos quais o valor é fixo sem variável. É um modelo de contrato diferente", disse Guilherme Bellintani, presidente do Bahia e que participou da negociação.

O acerto foi comemorado pelos parceiros porque todos os clubes assinaram — havia, por exemplo, receio de que dirigentes do Flamengo e do Athletico, que têm endurecido negociações recentes, batessem o pé por valores fixos superiores. O entendimento, entretanto, foi de que há um mercado novo a ser explorado no exterior e que é importante entender o quanto isso vale. Hoje, ninguém sabe.

"O principal foco de nosso trabalho é ampliar a visibilidade dos campeonatos brasileiros das Séries A e B no exterior e levá-lo a um nível mais alto de exposição internacional. Hoje já há um grande interesse, não atendido, pelo futebol do Brasil em mercados da Ásia, da América Latina, da América do Norte e da Europa", disse Hernan Donnari, CEO da GSRM.

Não se sabe, portanto, a quanto pode chegar o valor variável que as equipes receberão. Alguns clubes apostam que esse primeiro contrato com validade por quatro anos será uma espécie de teste e que no próximo já seja possível conseguir até quantias fixas maiores com base no quanto de fato vale a marca do Brasileirão fora do país.

A GSRM venderá para TVs abertas, fechadas e pay-per-view no exterior os direitos dos Brasileiros das Séries A e B, mas também terá um aplicativo em que essas partidas passarão, para assinatura — e, claro, com sinal funcionando somente fora do Brasil. Curiosamente, jogos que aqui no Brasil podem não ser transmitidos por opção dos detentores, como foi Fortaleza 0 x 2 Athletico no fim de semana passado, serão mostrados no exterior.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.