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Marcel Rizzo

Corinthians e Palmeiras deveriam tratar a Covid-19 com mais seriedade

Ederson, do Corinthians, tenta se livrar da marcação do Bragantino em jogo pelo Paulistão - Rodrigo Corsi/Paulistão
Ederson, do Corinthians, tenta se livrar da marcação do Bragantino em jogo pelo Paulistão Imagem: Rodrigo Corsi/Paulistão
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

03/08/2020 16h38

O Corinthians não descumpre o protocolo da Federação Paulista de Futebol (FPF) se não testar seus jogadores para a Covid-19 antes do primeiro ou do segundo jogo da final do Campeonato Paulista contra o Palmeiras, quarta e sábado próximos. O clube segue a principal recomendação do documento, que é o de deixar seus atletas concentrados durante todo o período pós-retomada do torneio.

Mas a informação revelada pelo jornalista Danilo Lavieri em seu blog no UOL Esporte repercutiu negativamente em meio à pandemia do coronavírus que já matou mais de 94 mil brasileiros. Há, também, que levar em conta que o Palmeiras preferiu não seguir a indicação da FPF de "prender" os atletas no hotel ou no CT durante todo o torneio, o que também coloca em risco seus profissionais.

O custo para testar é baixo, algo na casa dos R$ 8 mil — a FPF pagou os testes antes de o campeonato retornar, dia 22 de julho, e os demais ficaram a cargo dos clubes. Como a FPF recomendou que os jogadores ficassem de quarentena, não há no protocolo uma exigência de testagem sempre antes de uma partida, por exemplo. O Corinthians fez três desde seu primeiro confronto, o último antes de vencer o Bragantino nas quartas de final, quinta-feira da semana passada

Apesar de os corintianos estarem numa bolha, concentrados desde o início do campeonato, há contato externo. Houve nos dois jogos, contra Bragantino e Mirassol, com os jogadores se encostando o tempo todo. E já tivemos erro de laboratório, que deu falso positivo a atletas da equipe de Bragança Paulista antes do confronto contra o Corinthians. E se houve algum falso negativo?

Em casos de saúde, não há economia (o que não acredito que seja o caso) ou qualquer outro motivo que possa explicar não tentar proteger ao máximo seus funcionários e consequentemente os familiares. O Corinthians está dentro do protocolo, de certo modo até irritado porque o Palmeiras não está, já que liberou seus atletas da concentração pós-jogos, mas por que não testar?

Dentro da Federação Paulista de Futebol há certo posicionamento pró-Corinthians justamente pelo fato de o clube do Parque São Jorge ter seguido à risca a recomendação de concentração total por 18 dias, até a final. Mas devia, também, ter uma orientação mais clara para preservar a segurança de todos, inclusive de profissionais da FPF que trabalharão nos jogos, como os profissionais de arbitragem, fiscais, etc.

E o Palmeiras poderia ter colocado seus atletas na quarentena. Há potencial de prejuízo para o próprio clube, que pode perder um jogador importante na véspera do jogo porque o liberou para ter contato com outras pessoas, o que sempre aumenta o risco de contaminação.

O futebol voltou e, com a economia reabrindo mesmo em meio à pandemia, não fazia sentido o esporte ficar parado se há comércios e restaurantes em funcionamento. Até mesmo porque no futebol profissional há dinheiro para se criar protocolos de segurança confiáveis, muito mais do que em outros setores. Mas é preciso que isso seja feito com regras claras que sejam seguidas por todos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.