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Marcel Rizzo


Brasileiro conta como Qatar confinará todos por 70 dias até torneio voltar

Brasileiro Diego Pereira comanda treinamento no Qatar SC antes de o campeonato local retornar no país da próxima Copa - Divulgação/Qatar SC
Brasileiro Diego Pereira comanda treinamento no Qatar SC antes de o campeonato local retornar no país da próxima Copa Imagem: Divulgação/Qatar SC
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

23/06/2020 04h00

Setenta dias dentro de um hotel, concentrados, esperando o campeonato voltar. É assim que os 12 times que disputam a primeira divisão do Qatar, país que receberá a próxima Copa do Mundo em 2022, se preparam para finalizar as cinco rodadas da temporada 2019/2020 em meio à pandemia do novo coronavírus.

"É treinar, voltar ao hotel, treinar, voltar ao hotel. Somos testados a cada sete dias para a Covid-19. Entramos no hotel em meados de junho e nosso primeiro jogo nessa retomada é somente em 24 de julho", contou o preparador físico brasileiro Diego Pereira, 37, que trabalha no Qatar SC.

O confinamento, é claro, não deixa todo mundo feliz. Pereira encontrou recentemente no lobby do hotel o espanhol Xavi, ex-astro do Barcelona e da seleção da Espanha, que é o treinador do Al-Sadd, terceiro colocado na classificação do Qatariano."Perguntei para ele se estava preparado para ficar todo esse tempo no hotel e ele disse, 'não mesmo. Isso vai ter que mudar'".

Nenhum jogador do time do brasileiro foi detectado com a Covid-19 nos testes realizados, mas todos os roupeiros, ao menos três, acabaram testando positivo e precisaram ser afastados do convívio diário. Foi preciso recorrer a profissionais do segundo time para que o trabalho não fosse prejudicado. Em nono na classificação geral, o Qatar SC não briga mais pelo título.

Pereira é natural do Rio de Janeiro e tem passagens por clubes como Flamengo e Vasco. Já está há seis anos no Oriente Médio, entre os Emirados Árabes e o Qatar. Sua atual moradia é o 20º país do mundo com mais casos do novo coronavírus, 88.403, mas registra oficialmente apenas 99 mortes.

A letalidade divulgada pelo governo local é baixa. No Brasil, por exemplo, que tem mais de 1 milhão de casos e de 50 mil mortos a letalidade é de 4,6% enquanto no Qatar fica na casa do 0,1% — lembrando, claro, que esses números são os divulgados oficialmente pelos países e não levam em conta possíveis subnotificações.

"Estamos seguindo todos os protocolos de treinamentos e cuidados necessários para evitar a contaminação. Muito tempo parado aumenta o risco de lesões e tem o calor, essa época do ano chega a fazer 45 graus por aqui, então temos a preocupação com a hidratação", disse Pereira. O campeonato, como no resto do mundo, foi paralisado em março.

Sede da próxima Copa, o Qatar, mesmo no auge da pandemia, não paralisou as obras do Mundial. O terceiro dos oito estádios do Mundial, o "Cidade Educação", foi entregue em junho e receberá, inclusive, o jogo de retorno do Qatar SC no campeonato local, contra o Al-Rayyan no dia 24 de julho.

"Eles querem entregar tudo com dois anos antes da Copa, ou seja, até o fim desse ano. Os caras têm um dos maiores PIBs do mundo, estão ajudando financeiramente outros países durante a pandemia", disse o brasileiro.

Segundo ele, ainda não houve comentários por lá de um possível adiamento do Mundial de Clubes, marcado para dezembro no Qatar. O Conselho da Fifa se reúne na próxima quinta (25) e um dos temas será a manutenção ou não da competição, que depende de ver finalizados até novembro os torneios continentais de clubes, o que pode não ocorrer - a Libertadores, por exemplo, corre o risco de avançar por 2021 para acabar.

"Por enquanto tudo normal, inclusive o representante do Qatar sai do campeonato nacional que vamos finalizar e querem terminar logo justamente por isso", disse o brasileiro.

Marcel Rizzo