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FPF pede a governo que libere treinos; reunião tem mal-estar com Bragantino

Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

05/06/2020 17h15

Com Pedro Lopes

Houve mal-estar na reunião virtual entre a cúpula da Federação Paulista de Futebol (FPF) e cartolas dos clubes da primeira divisão de São Paulo. O Red Bull Bragantino já retornou aos treinamentos, com a liberação da prefeitura de Bragança Paulista, e irritou outros clubes que ainda não podem trabalhar porque suas cidades não permitiram. O campeonato está parado desde março por causa da pandemia do novo coronavírus.

Havia um acordo verbal entre as equipes de todas voltarem a treinar ao mesmo tempo, para que não houvesse vantagem para nenhum time na retomada do campeonato, ainda sem data. Na reunião, Thiago Scuro, representante do Bragantino, disse que não houve volta a treinamentos técnicos ou táticos, mas apenas a trabalhos individuais dos atletas.

"Havia um consenso [sobre volta aos treinos juntos]. Não era uma regra, mas código de ética, cumpre quem quer. Alguns voltaram, o que teve a dignidade de admitir foi o Red Bull Bragantino que justificou dizendo que eles tiveram uma orientação, quase determinação da empresa para retornar às atividades, principalmente por preocupação com o Brasileiro. Outros clubes que não têm a mesma condição de retorno, e os clubes grandes, houve uma reação. Um constrangimento, mas tudo em nível educado e racional", disse Sidney Riquetto, presidente do Santo André, líder do Paulistão até a paralisação.

A explicação não adiantou muito e a federação foi cobrada por outros clubes. Por isso a entidade reforçou ao governo do estado pedido para que libere que os clubes possam trabalhar em seus centros de treinamento. São Paulo dividiu o estado por regiões de contaminação, algumas com situação mais estável por Covid-19, mas outras que ainda estão em fase mais crítica, como a capital, continuam proibindo os trabalhos nos CTs. O governador João Doria disse nesta sexta (5) que não há prazo para retorno de jogos de futebol.

Caso haja uma negativa do governo estadual, os clubes devem procurar diretamente as prefeituras da sede de cada um deles — os grandes teriam mais dificuldade em conseguir uma liberação na capital. Aqueles que ouvissem não de seus prefeitos poderiam estudar retomar os treinamentos iniciais, físicos, em cidades que já tivessem liberado as atividades físicas.

"Se o estado não liberar, aí cada clube irá procurar essa liberação junto ao poder municipal. Situações são diferentes de um município para outro. Nós vamos ter que buscar CT fora de Santo André, o estádio virou hospital de campanha. Todos os setores do futebol profissional ficaram desativados, restaurante, academia. Tem que buscar uma autorização em um local fora, o que certamente traz uma desigualdade grande", disse Riquetto.

Em nota, a FPF informou que diante da flexibilização da quarentena anunciada pelas autoridades públicas paulistas, inclusive com liberação a shoppings, que contam com cuidados menos rigorosos do que os previstos pelo protocolo do Futebol Paulista, a FPF e os clubes encaminharão novamente ao governo do estado e às prefeituras proposta minuciosa voltada à retomada dos treinamentos nas cidades em que estes ainda não foram liberados.

O comunicado diz que o novo protocolo prevê testagem de todos os profissionais dos clubes, com retorno gradual dos treinamentos iniciando com atividades individuais em áreas abertas. Vestiários, por exemplo, estarão fechados e os atletas terão que chegar uniformizados ao CT.
Uma nova reunião ocorrerá na próxima terça (9), com a expectativa que o governo já tenha dado uma resposta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.