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Marcel Rizzo


Receita recorde da CBF em 2019 inclui mais de R$ 200 mi do legado da Copa

Presidente da CBF, Rogério Caboclo, durante a premiação da final do Mundial Sub-17 que foi realizado no Brasil - Alexandre Loureiro/CBF
Presidente da CBF, Rogério Caboclo, durante a premiação da final do Mundial Sub-17 que foi realizado no Brasil Imagem: Alexandre Loureiro/CBF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

06/05/2020 14h00

A CBF incluiu em sua receita recorde de 2019 os R$ 203,2 milhões repassados pela Fifa para o legado da Copa do Mundo de 2014. A confederação brasileira teve faturamento de R$ 957 milhões no ano passado, o maior da história, mas que teve o impulso do dinheiro repassado pela federação internacional — o lucro foi de R$ 190 milhões.

O recurso do legado ficou quase quatro anos retido pela Fifa por causa das denúncias de corrupção que atingiram também a cartolagem brasileira, o chamado Fifagate. No começo de 2019, Fifa e CBF entraram em acordo para a liberação da totalidade dos US$ 100 milhões previstos, com cotação fixa do dólar a R$ 3,76 como previa o contrato original. O valor bruto de R$ 376 milhões caiu a R$ 239 milhões líquido após o pagamento de impostos.

Entre 2014 e 2015, antes de estourar o Fifagate, em maio de 2015, a Fifa já havia repassado à CBF US$ 9 milhões (R$ 33,8 milhões, pela cotação de 3,76 acertada). A maior parte do restante, segundo o balanço financeiro da entidade, foi depositado em 2019.

Mesmo sem o dinheiro do legado, uma verba eventual, o faturamento da CBF em 2019 seria recorde — atingiria R$ 753,8 milhões e superaria o de 2018, que foi de R$ 668 milhões. A entidade teve em 2019 aumento considerável em algumas receitas específicas, como patrocínios, direitos de transmissão e comerciais, registros e transferências, na CBF Academy (projeto que dá cursos e palestras) além, é claro, do dinheiro eventual do legado da Copa.

Houve queda de faturamento da CBF em bilheteria e premiações das seleções, apesar da Copa América realizada no Brasil, e em programa de desenvolvimento, dinheiro repassado pela Fifa para projetos sociais ligados ao futebol e que dependem de aprovação pela entidade mundial.

O legado

A Fifa reserva parte do lucro que tem com a Copa do Mundo à associação sede para uso no desenvolvimento do esporte no país. No caso do Brasil, o principal projeto do legado sempre foi a construção de centros de treinamento com foco na formação de jogadores nos 15 estados que não receberam partidas do Mundial-2014.

Somente um até agora saiu do papel, em Belém do Pará, antes ainda das denúncias de corrupção estourarem. Em maio de 2015 dezenas de cartolas foram presos acusados de receberem propina na venda de direitos comerciais de torneios, inclusive o ex-presidente da CBF José Maria Marin. Ele foi condenado pela Justiça dos EUA, mas acabou liberado mês passado pelo risco de contágio com o novo coronavírus. Outros ex-presidentes também foram acusados, como Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero — todos negam os delitos.

Até agora, segundo dados da CBF de fevereiro de 2020, foram usados R$ 55 milhões do total da verba do legado, dividido da seguinte maneira:

- R$ 16 milhões em infraestrutura (total orçado é de R$ 113 milhões)
- R$ 18 milhões em futebol de base masculino (total é de R$ 48 milhões)
- R$ 16 milhões em futebol feminino (total é de R$ 48 milhões)
- R$ 1 milhão em medicina esportiva (total é de 13 milhões)
- R$ 2 milhões em projetos sociais (total é de R$ 12 milhões)
- R$ 2 milhões na administração dos projetos e recursos (total é de R$ 6 milhões)

Segundo a CBF o dinheiro já recebido serviu, por exemplo, para a realização dos campeonatos femininos que a entidade organizou em 2019, como os Brasileiros das Séries A-1 e A-2 além de torneios de base como o Sub-18. O investimento do fundo de legado da Copa do Mundo de 2014, ainda segundo a entidade, contemplou a logística dos jogos, como transporte e hospedagem, remuneração da arbitragem, disponibilidade das ambulâncias, transmissões das partidas e outros custos operacionais.

Marcel Rizzo