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Marcel Rizzo


Clubes rejeitam corte em cota de TV da Globo e querem garantia de pagamento

Taça do Brasileiro: ainda não se sabe quando o torneio vai começar em 2020 - Getty Images
Taça do Brasileiro: ainda não se sabe quando o torneio vai começar em 2020 Imagem: Getty Images
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

28/04/2020 10h55

Os clubes não gostaram do aviso da Globo de que haverá corte nos valores das parcelas dos meses de abril, maio e junho da cota fixa dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, como o blog revelou, e querem negociar os termos.

Uma comissão será formada com representantes de três clubes, Grêmio, Palmeiras e Flamengo, para conversar com os executivos da emissora. Nesta terça (28) os presidentes voltam a se reunir, por meio de videoconferência, com a participação da CBF, que apesar de não negociar contratos de transmissão para as Séries A e B pode intermediar algum acordo com a Globo.

O blog apurou que os clubes reclamam de que o corte ocorrerá nos piores meses, bem no meio do isolamento social por causa do coronavírus. A pandemia também é o argumento da Globo para a reprogramação dos pagamentos. A emissora deixou claro, porém, que o valor da cota fixa pelo Brasileiro por TVs fechada e aberta será pago integralmente (R$ 22 milhões por clube) e o corte entre abril e junho será compensando com acréscimo dos valores em parcelas dos meses do segundo semestre.

Mesmo assim há temor dos clubes de não ter como pagar algumas contas nesse período de corte nas parcelas. Alguns, por exemplo, atrelam pagamentos de dívidas justamente nas datas em que recebem o dinheiro mensal da Globo, depositado sempre no último dia do mês.

Há, também, um outro receio com base na carta enviada pela Globo, a qual o blog teve acesso: no texto a emissora diz que dependendo do aumento da crise causada pela pandemia, novos ajustes podem ser feitos nos pagamentos. Ou seja, pode haver mais corte (leia a íntegra da carta enviada ao fim do texto). Os clubes querem garantia de que receberão cota integral se o Brasileiro for realizado normalmente com 38 rodadas, independentemente das datas.

Ao blog, a emissora informou que o ajuste foi necessário por causa da paralisação do calendário e desafios impostos por causa disso. Mas que, neste momento, está programada para pagar 100% os valores acertados.

O corte
A Globo paga mensalmente valores referentes à cota fixa que os clubes recebem pelos direitos de transmissão em TV aberta e fechada da Série A, uma bolada que no total gira em torno de R$ 440 milhões.

O blog teve acesso aos valores que serão pagos de abril a dezembro para TV aberta, segundo documento enviado pela emissora, com diminuição substancial nos meses de abril, maio e junho. A proposta é que entre abril e junho os clubes recebam mensalmente R$ 396.768,75. A partir de julho, o valor sobe para R$ 1.124.178,13, o que totalizará ao final desses nove meses R$ 7.935.375,00. O pagamento é programado a ser feito no último dia do mês. A Globo deu prazo até 28 de abril, esta terça, para que os clubes respondam.

A Globo pagou integralmente as cotas de janeiro, fevereiro e março, que passam dos R$ 2 milhões mensais porque o fluxo combinado inicialmente prevê maiores parcelas no primeiro semestre. Cada clube tem direito a R$ 22 milhões desse valor fixo dos direitos de transmissão em TV aberta e fechada.

Para TV aberta e fechada, a Globo paga anualmente cerca de R$ 1,1 bilhão aos 20 clubes da Série A, dividido da seguinte maneira: 40% fixo, em cotas mensais (o valor que está diminuindo agora), 30% por número de jogos transmitidos e 30% por colocação final do campeonato. Estas duas últimas, portanto, dependem da realização da competição para serem pagas.

O Brasileiro teria início no próximo final de semana, mas a CBF não tem ideia de quando, e como, poderá reiniciar a competição. Os clubes pediram à entidade para tentar de todas as maneiras manter a fórmula de pontos corridos, com 380 jogos em 38 rodadas, mesmo que avance para 2021 justamente para evitar perda no que a Globo e a Turner (em TV fechada para alguns clubes) pagam pelos direitos de transmissão.

Dos 20 clubes da Série A, dois ainda não têm contrato com a Globo para TV aberta ou PPV em 2020, o Bragantino e o Coritiba, que conseguiram o acesso da Série B em 2019. O time paranaense tem acordo com a Turner para TV fechada. O Athletico só fechou com a Globo por TV aberta, não por PPV, enquanto Palmeiras, Santos, Inter, Ceará, Fortaleza, Bahia e Athletico têm contrato com a Turner para TV fechada, além do já citado Coritiba. O grupo norte-americano também quer mudanças nos termos com esses oito clubes.

Veja na íntegra a carta da Globo enviada aos clubes:

"Prezado senhor,
Como é de conhecimento de V.Sas, a pandemia do COVID-19, além de provocar a suspensão de todas as competições nacionais, afetou gravemente as atividades esportivas em todo o país, com consequências para todos os elos dessa cadeia produtiva. Não é possível ainda dimensionar a extensão dos danos já provocados ou calcular todas as consequências futuras da crise deflagrada pela pandemia. A temporada 2020 do Campeonato Brasileiro Série A deveria ter início no dia 2 de maio de 2020, mas tudo indica que será adiada, sendo impossível neste momento prever quando se iniciará.
Diante desse cenário, o momento requer união e esforço de todos, para que, de forma colaborativa, possamos enfrentar os desafios que essa crise sem precedente coloca diante de nós. Nesse sentido, é nossa intenção restabelecer o cronograma de pagamentos desse ano. Informamos que, por ora, vamos manter os pagamentos do PPV tal como previsto no respectivo contrato.
Essa proposta, como já dito, é feita em boa-fé e tem como objetivo contribuir para o restabelecimento da normalidade das atividades de transmissão de eventos esportivos. Não representa renúncia da Globo ao direito de, futuramente, reavaliar as consequência que a pandemia venha a causar da continuidade, formato e calendário dos eventos de futebol, bem como nos negócios desenvolvidos pela Globo a partir dos direitos e no próprio panorama macroeconômico de maneira geral. Tais consequência podem demandar novos ajustes nas obrigações contratuais (inclusive no cronograma previsto na tabela), ao gerar desequilíbrio nas prestações já ajustadas.
Solicitamos retorno de V.Sas até às 18h do dia 28/04/2020, mediante assinatura nesse documento, a fim de que possamos operacionalizar os pagamentos"

Marcel Rizzo