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Marcel Rizzo


Patrocinadores devem decidir a sede da nova Copa Intercontinental

Presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez é a favor da volta da Copa Intercontinental - Pedro Ivo Almeida/UOL Esporte
Presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez é a favor da volta da Copa Intercontinental Imagem: Pedro Ivo Almeida/UOL Esporte
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

11/03/2020 04h00

Classificação e Jogos

O retorno da Copa Intercontinental, o confronto entre os campeões da Libertadores e da Liga dos Campeões, vai depender dos patrocínios exclusivos para o torneio que poderão ser fechados por Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e Uefa (União Europeia de Futebol). Como o blog mostrou, há até a chance de turbinar a competição com a inclusão dos vencedores da Copa Sul-Americana e da Liga Europa.

Na reunião entre cartolas das duas associações que tratou do tema, realizado em fevereiro na Suíça, ficou amarrado que o ideal será assinar acordos diferentes daqueles que os dois campeonatos já possuem. A aproximação entre os dois continentes se deu para minar a Fifa, que planeja criar torneios de clubes que podem colidir com Libertadores e Liga dos Campeões e minar financeiramente esses campeonatos.

Há conflito de parceiros do mesmo segmento. Por exemplo: a Libertadores acertou recentemente contrato com a montadora Ford, enquanto a Liga dos Campeões exibe a marca da japonesa Nissan. A Conmebol tem como patrocinador a EA Sports, que produz jogos de videogame, enquanto a Uefa está assinada com a Sony para anunciar o Playstation. Apesar de serem ramos diferentes (consoles x produção de games), seria impossível ter as duas marcas no Intercontinental, por exemplo.

Existem parceiros iguais, como o banco Santander, a Mastercard e a Amstel (apesar de as marcas de cervejas anunciadas em cada competição serem diferentes). Mas na conversa entre a cartolagem o consenso foi que pode ser interessante buscar outros patrocinadores, até mesmo de segmentos que hoje não estão contemplados nos dois torneios.

Os parceiros podem definir, por exemplo, onde se jogará a Copa Intercontinental. Até 2004 a partida única ocorria no Japão porque o principal patrocinador era a montadora japonesa Toyota, que teve contrato com a Conmebol pela Libertadores até 2018, quando não renovou. A Ford acabou ocupando esse ano a vaga destinada para as montadoras.

A ideia inicial de sul-americanos e europeus é jogar a partir de 2021 ou 2022 em sede fixa, não necessariamente nesses dois continentes. Ásia, incluindo o Oriente Médio, e EUA são mercados que atraem. Antes do surto do novo coronavírus, empresas da China eram alvos para patrocinar a competição. Devido ao avanço da doença, porém, qualquer negociação está suspensa.

A Libertadores tem hoje dez patrocinadores: Qatar Airways, Amstel, Rexona, Mastercard, Santander, Betfair, EA Sports, Gatorade, Bridgestone e Ford. Já a Liga dos Campeões tem oito: Mastercard, Santander, PS4 (Sony), Gazprom, Lays, Heineken (Amstel), Hoteis.com e Nissan.

A Copa Intercontinental
A Conmebol vê a brecha ideal para torneios entre os continentes depois da confirmação do novo Mundial de Clubes organizado pela Fifa, reformulado com 24 equipes e quadrienal a partir de 2021. Isso abriu datas no calendário em dezembro com o fim do torneio da Fifa no formato atual para que europeus e sul-americanos façam o seu confronto.

Avalia-se que a Copa Intercontinental possa render cerca de US$ 10 milhões a cada time participante, o que pode ser um valor interessante para convencer os clubes europeus a jogarem — o Mundial da Fifa no modelo atual paga apenas US$ 5 milhões ao campeão.

Em 2004 ocorreu a última edição da Copa Intercontinental porque no ano seguinte a Fifa passou a organizar o seu Mundial como é conhecido hoje, nas mesmas datas em que ocorria o jogo único no Japão. Santos duas vezes (1962 e 1963), o Flamengo (1981), o Grêmio (1983) e o São Paulo duas vezes (1992 e 1993) foram os brasileiros que venceram a Copa Intercontinental.

Marcel Rizzo