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Marcel Rizzo


Fotos iguais em passaporte e camisa de ONG ajudaram na prisão de Ronaldinho

Camisa patrocinada por ONG na chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Paraguai é a mesma usada em passaporte falso - Reprodução/Tigo Sports
Camisa patrocinada por ONG na chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Paraguai é a mesma usada em passaporte falso Imagem: Reprodução/Tigo Sports
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunistas do UOL

09/03/2020 11h20

Com Ricardo Perrone, de Assunção

A foto de uma camisa preparada pela ONG Fraternidade Angelical para receber Ronaldinho Gaúcho no Aeroporto Silvio Pettirossi levou as autoridades paraguaias a associarem a empresária Dalia López, presidente da organização não-governamental, aos passaportes falsos feitos para o ex-jogador e seu irmão Assis. A dupla está presa desde sexta-feira (6) em Assunção.

A imagem da camisa amarela que várias pessoas usavam na quarta-feira passada (4) é a mesma que aparece nos documentos adulterados de Ronaldinho Gaúcho — ele sorrindo, com uma camiseta branca. O fato ajudou também na decisão da Justiça paraguaia de decretar a prisão preventiva do brasileiro para investigar a relação dele com López e com a Fraternidade Angelical. A empresária é acusada de lavagem dinheiro e evasão fiscal por sua atuação em outras empresas.

Alvaro Arias, advogado de Dalia López, nega que ela seja a patrocinadora da viagem de Ronaldinho Gaúcho para o Paraguai - segundo ele, o brasileiro foi prioritariamente para o a inauguração de um cassino e, aproveitando a passagem do ex-jogador por Assunção, López o convidou a participar do lançamento do projeto da ONG que pretende levar clínicas médicas móveis para atender crianças em regiões carentes do Paraguai.

Arias também nega que López tenha qualquer participação na confecção dos documentos falsos, apesar de a imagem de Ronaldinho ser a mesma no passaporte e na camisa feita pela ONG para a chegada do ex-jogador. Para ele, ela não tinha como desconfiar que as fotos eram as mesmas.

A Justiça paraguaia também decretou a prisão de López e ela deve se entregar nas próximas horas. As autoridades paraguaias querem saber se Ronaldinho e seu irmão Assis pretendiam iniciar relações de trabalho com a ONG Fraternidade Angelical ou mesmo com outras companhias ligadas à empresária de 48 anos.

Dalia López estava entre as dez pessoas que receberam o ex-jogador e Assis na sala VIP do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi. O local foi alugado para que o ex-jogador tivesse privacidade na chegada e, segundo a investigação, já portava ali os documentos falsificados. Segundo o jornal paraguaio "ABC Color", o valor pago pelo aluguel do espaço foi de US$ 198 (R$ 919) e o recibo saiu em nome da Fraternidade Angelical.

Presos na noite de sexta-feira (06), Ronaldinho e Assis negam que tenham participado da confecção ou que soubessem que receberiam os passaportes paraguaios — eles foram detidos pela polícia do Paraguai na noite de quarta-feira (4) para prestar esclarecimentos, depois liberados, mas tiveram a prisão decretada pela Justiça na sexta (6). O promotor do caso, Osmar Legal, disse que investiga se há outros crimes que possam ter sido cometidos pelos irmãos.

Marcel Rizzo