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Marcel Rizzo


Só multa? Conmebol quer pena maior ao Defensa por racismo contra o Santos

Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

05/03/2020 11h36

Classificação e Jogos

O Defensa Y Justicia, da Argentina, pode levar punição maior do que apenas uma multa por causa de gestos racistas de um torcedor de seu time na derrota de 2 a 1 para o Santos, na terça (30), pela Libertadores. Essa é a expectativa entre cartolas da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), entidade que gostaria de mudar a imagem de que alivia para casos de injúria racial dentro de suas competições.

O Comitê de Disciplina da confederação, que teoricamente é independente, abriu investigação para apurar o caso. O Defensa tem até a próxima segunda-feira (9) para enviar sua defesa, mas por meio de nota oficial adiantou que está tentando identificar a pessoa que imitou um macaco em direção a torcedores santistas. A aposta dentro da Conmebol é de que o clube tenha que atuar de portões fechados por algumas partidas já nesta Libertadores.

O Código Disciplinar da Conmebol é brando com a discriminação. Diz o artigo 17 que se um torcedor cometa um ato contra a dignidade humana, o clube é responsável e pode ser punido com uma multa de, no mínimo, US$ 15 mil (R$ 69 mil). Não se fala em mais nada, seja jogar de portões fechados, perda de pontos ou exclusão de competição.

Mas é no parágrafo 3 do mesmo artigo que Comitê de Disciplina vai se apegar se quiser punir o Defensa com mais do que uma multa, que é descontada do que o time tem a receber de cotas da Libertadores — o que no fim nem atinge diretamente a conta bancária do clube. Diz o parágrafo que "se as circunstâncias particulares de um caso exigirem, o órgão judicial competente poderá impor sanções adicionais à associação membro ou ao clube, jogador ou oficial responsável".

O que seriam essas sanções adicionais se o código da Conmebol nada cita? É preciso ler outro documento disciplinar, o da Fifa, que pode ser usado como base nessas situações. Por lá, a Fifa dá várias opções para se punir clubes em que torcedores cometem injúrias raciais, como jogar com os portões fechados, ser proibido de atuar em determinado estádio, perda de pontos, exclusão de competição ou até rebaixamento, caso o regulamento da competição tenha essa regra.

Só que há um detalhe: a orientação é dar essas punições mais graves em casos de reincidência. Em primeira condenação, o código da Fifa fala em multa de pelo menos 20 mil francos suíços (R$ 97 mil) e jogar com número limitado de torcedores ou portões fechados. É nessa base que o Comitê Disciplinar da Conmebol vai trabalhar.

Há dois fatores importantes nesse contexto todo:

1) - O Defensa Y Justicia está longe de ter força nos bastidores da Conmebol como River Plate e Boca Juniors, por exemplo. Punir o pequeno clube argentino e usá-lo como exemplo é mais fácil do que se tivesse ocorrido com um dos grandes de Buenos Aires ou mesmo com clubes tradicionais com o uruguaio Peñarol.

2) A Conmebol está em conflito com a Fifa porque a entidade mundial quer criar torneios de clubes à revelia da confederação sul-americana e da Uefa (União Europeia de Futebol). Começar a punir com maior rigor a injúria racial é visto dentro da Conmebol como um fator importante para ter a aprovação da opinião pública na "guerra fria" contra a Fifa, que também não é muito adepta de condenações graves em casos como o que vimos na Argentina.

Marcel Rizzo