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Marcel Rizzo


Fifa quer Mundial de Clubes feminino para minar motim de Uefa e Conmebol

O ex-jogador Cafu e os cartolas Alejandro Dominguez, Gianni Infantino e Rogério Caboclo durante a Copa América em 2019 - Danilo Matsukawa/ CONMEBOL Copa América
O ex-jogador Cafu e os cartolas Alejandro Dominguez, Gianni Infantino e Rogério Caboclo durante a Copa América em 2019 Imagem: Danilo Matsukawa/ CONMEBOL Copa América
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

19/02/2020 11h35

Em meio à aproximação com clubes, o que tem desagradado Uefa (União Europeia de Futebol) e Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), a Fifa apresentou ideia de criar um Mundial de Clubes feminino.

A entidade quer apoio do Real Madrid (ESP) e outros que desenham uma associação mundial de clubes para não perder força na organização de competições. No caso do futebol feminino, a Fifa avalia que nos próximos anos o aumento da receita para torneios de mulheres crescerá muito e por isso não quer perder o protagonismo no comando desses torneios.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, diz que o Mundial entraria no borderô de US$ 1 bilhão que a federação pretende investir no futebol feminino até 2022. O projeto é parecido com o do novo Mundial de Clubes entre os homens: uma sede fixa, com vários times de cada uma das seis confederações filiadas participando após se classificarem em campeonatos continentais. A diferença, apurou o blog, é que Infantino gostaria que o torneio fosse anual ou no máximo a cada dois anos, para fortalecer o crescimento da modalidade. Entre os homens a periodicidade será a cada quatro anos, a partir de 2021 na China.

O movimento é mais um dentro da Fifa numa "guerra fria" que se inicia entre a federação internacional e europeus e sul-americanos pelo controle nas competições de clubes, principalmente, mas também de seleções. A Fifa não quer brecha para a criação de torneios organizados por essas confederações e fortalecer seu domínio sobre o futebol feminino faz parte disso.

Em novembro de 2019, Infantino participou de encontro patrocinado pelo Real Madrid que desenhou a criação de uma associação mundial de clubes. Estiveram presentes também cartolas do Milan (ITA), do América (MEX), do Mazembe (República Democrática do Congo), do Guangzhou Evergrande (China), do Auckland City (Nova Zelândia) e de River Plate e Boca Juniors (Argentina). O Flamengo deve ser o primeiro brasileiro a ser convidado.

A associação, e a aproximação da Fifa desse grupo, desagradou dirigentes da Uefa e da Conmebol que nem foram consultados sobre isso. Como resposta, na semana passada cartolas dessas duas confederações se encontraram na Suíça e decidiram realizar diversos projetos em conjunto, entre eles a criação de torneios. Como o blog mostrou, uma Copa Intercontinental turbinada está nos planos.

A Fifa reagiu e, nesta terça (18), anunciou que não fará mais as reuniões de seu Conselho, marcadas para 12 e 13 de março, em Assunção, no Paraguai, como estava definido havia mais de quatro meses. Oficialmente a Fifa diz que a mudança do encontro foi um pedido dos membros do Conselho, preocupados com deslocamentos por causa da epidemia do novo coronavírus. As reuniões serão feitas por videoconferências coordenadas da sede em Zurique.

Marcel Rizzo