Juca Kfouri

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Reportagem

Vasco ensina ao São Paulo que coração é fundamental e goleia

Ao chegar o intervalo em São Januário o São Paulo repetia quase 100% o que havia feito em Itaquera no domingo passado.

Contra o Vasco, tão fragilizado como o Corinthians, o Tricolor saiu na frente, acomodou-se incapaz de torcer a faca, e deixou o Cruzmaltino crescer.

Crescer a ponto de empatar com gol contra de Alan Franco, aos 33 minutos, em jogada do ex-corintiano Adson, depois do tento inicial de André Silva, aos 10, em belíssima cabeçada ao receber de Rodrigo Nestor.

A diferença ficou por conta de que quem fez o 2 a 1 não foi o Tricolor, mas os anfitriões, em contra-ataque perfeito e lindo gol do garoto Estrella, 19, ao dar drible de quebrar o pescoço de Patryck.

Outra diferença ponderável estava na presença de público que lotou o estádio corintiano, com 46 mil torcedores, e deixou o vascaíno repleto de claros, demonstração da falta de confiança do torcedor, apenas 5 mil.

Em São Paulo, Lucas Moura e companhia voltaram para o segundo tempo certos de que fariam mais gols e desempatariam o 2 a 2.

No Rio de Janeiro, teriam de virar e para tanto precisariam mostrar uma vontade maior que a posta em prática pelos vascaínos.

Era hora de Luis Zubeldia incutir em seus comandados a inquietude dele à beira do gramado.

Wellington e Rato vieram para a etapa final, sem Patryck e Calleri, completando a terceira troca, porque Nestor já havia saído, machucado, substituído por Michel Araújo.

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O Vasco sabia que seria pressionado por um time que lhe é superior, mas corria atrás da bola como se fosse o prato de comida, segundo ensinou Neném Prancha.

O interino Rafael Paiva pôs JP e Pumita nos lugares de Estrella e Paulo Henrique, aos 18.

O São Paulo pouco incomodava, não parecia com sentimento de urgência e trocava passes esterilmente.

Igor Vinicius foi-se, Ferreirinha veio, aos 26, quando Adson pediu para sair e Rossi entrou em seguida, assim como Hugo Moura e Piton, substituídos por Sforza e Leandrinho, todos os vascaínos esfalfados.

No São Paulo, aos 35, Juan entrou no lugar de Galopo, aos 33.

Os goleiros eram peças decorativas em campo, porque sem trabalho algum.

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Juan entrou a tempo de ver o Vasco desarmar Ferreirinha, armar contra-ataque em três toques e Leandrinho concluir com uma bomba para evitar que Jandrei tivesse que pegar na bola: 3 a 1, quase sem ângulo.

Jandrei ainda evitou o 4 a 1 em grande defesa no tempo normal e São Januário reclamou quando o assoprador de apito anunciou dez minutos de acréscimos.

Pois não deveriam.

Aos 48, JP tomou a frente de Lucas Moura e achou David entrando na área. O atacante não deixou a bola cair no chão e bateu de primeira para fazer outro golaço: 4 a 1.

Os paulistas perdiam pela segunda vez seguida e completavam quatro jogos sem vitórias, terrível para quem tem maiores pretensões no campeonato.

O Vasco respirava, ganhava confiança com seus pratas da casa, o treinador inclusive, e mostrava ao São Paulo que sem coração não se vai a lugar algum.

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Depois de perder do Cuiabá no Morumbi, era obrigatório ganhar fora de casa e o que se viu foi um time desfibrado, que merecia voltar para a capital paulista a pé.

Lucas Moura esteve em campo, mas não jogou — e as trocas de Zubeldia foram um furo n'água.

O clássico acabou sob olé amplo, geral e irrestrito.

Imagine o que deve ter de vascaíno arrependido por não ter ido a São Januário.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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