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Antero Greco


Veron, Pablo, Boselli, três boas notícias no Paulistão

Pablo comemora gol do São Paulo contra o Água Santa pela estreia do Paulistão 2020 - Marcello Zambrana/AGIF
Pablo comemora gol do São Paulo contra o Água Santa pela estreia do Paulistão 2020 Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Antero Greco

Antero Greco é paulistano do Bom Retiro, jornalista desde 74. Trabalhou no Grupo Estado, Diário Popular, TV Gazeta, Corriere Dello Sport (Roma), além de colaborações para Folha e TV Band. Entrou na ESPN em 94. Cobriu 11 Copas (7 no local).

24/01/2020 04h00

Tenho por norma de trabalho esperar um mês, ou sete/oito jogos, antes de fazer avaliação mais consistente a respeito do potencial de um time na temporada. Considero necessário esse tempo, por causa dos ajustes que são feitos na forma de jogar e porque elencos continuam em formação. Cravar trajetória - boa ou ruim - antes disso se mostra tremenda casca de banana.

Porém, observações pontuais são exercício saudável. Não há como fugir dele. A gente vê os jogos, anota aspectos positivos ou negativos, e dá pitacos. Vale a pena opinar, faz parte do ofício. Sim, sim, com possibilidade de quebrar a cara. A vida é feita de riscos.

Como estou aqui para aguentar cornetagem, me atrevo a pinçar três aspectos bacanas do desempenho de Palmeiras, São Paulo e Corinthians na rodada de abertura do Paulistão. Vitórias à parte - e incontestáveis -, gostei da atuação de Gabriel Veron, Pablo e Boselli. O trio teve papel de destaque e precisa de incentivo, por motivos diversos.

Começo pelo mais experiente, o argentino Mauro Boselli, a comemorar 35 anos em maio. Ele chegou ao Corinthians no início do ano passado, depois de marcar época no Leon, do México. Veio para ser titular, mas não se firmou. Alternou bons momentos, com períodos no banco. Em certo momento, ficou a impressão de que o investimento era perdido.

Thiago Nunes logo de cara deu voto de confiança ao veterano atacante, observou o desempenho dele na Florida Cup e optou por colocá-lo como titular diante do Botafogo. Foi o nome do jogo, com três gols, nos 4 a 1, e participação direta no lance do pênalti cobrado por Luan.

Não só pelos gols, de que carecia demais, porém chamou a atenção pela busca de espaços na área, pela tentativa de desmarcar-se, pela colocação para puxar contragolpes. Beneficiou-se também pelo esquema do novo treinador, que faz o time tocar a bola com mais objetividade.

O segundo da lista é o paranaense Pablo, 27, quase 28 anos. Desembarcou no Morumbi em 2019 com perspectiva de brilhar tanto ou mais do que no Athletico. Havia sido um dos pontos altos do rubro-negro no ano anterior e o São Paulo representava o salto de qualidade.

Pablo largou bem, mas teve trajetória irregular, por contusões. Entrou em campo muito menos do que se esperava, não virou titular. Parecia outro furo n'água do tricolor.

O que se viu diante do Água Santa, na quarta-feira, foi jogador participativo, que abriu espaço, distribuiu o jogo e soube aproveitar a chance para marcar. Gol que relembrou os tempos de Athletico, atuação para tirar a zica.

Antes que um precipitado fale para eu ter calma, pois "é início de trabalho", recomendo voltar ao primeiro parágrafo. Está lá a ressalva. O que Fernando Diniz pôde comemorar foi o fato de enfim ter um atleta com estatura, força e habilidade para mais de uma função.

Gabriel Veron é rapazinho, adolescente que só em 3 de setembro atingirá a maioridade. No entanto, tem potencial tão evidente que lhe rendeu experiências no time principal do Palmeiras nas últimas rodadas do Brasileiro de 2019. Fora convocação para seleção de base.

Na época, mostrou personalidade, valentia, atrevimento num time desacorçoado por seguidas trocas de comando. Nem precisava fazer muito, diante da ladeira abaixo de Deyverson e Borja, até então os nomes da posição. Mesmo assim, mas jorrou talento. Não por acaso caiu no gosto da torcida, que quer vê-lo mais vezes em ação.

Veron entrou no segundo tempo da partida com o Ituano e foi um dos fatores de desequilíbrio verde. Com ele no lugar de Raphael Veiga (e com Willian na vaga de Luiz Adriano), o Palmeiras foi mais leve, veloz e desconcertante. O garoto partiu pra cima dos marcadores, como gosta Luxemburgo, e criou chances de gol.

Numa delas, se não fosse fominha deixava Gabriel Menino livre para tocar para as redes. Ok, dá-se desconto, pela idade, pela empolgação, pela vontade de mostrar serviço. O técnico pede paciência, para colocá-lo sem ansiedade, e está certo.

Veron tem físico privilegiado para a idade, consegue aguentar o tranco. Sofrerá com oscilações próprias da fase que vive, a transição da puberdade para a vida adulta. Um bom trabalho, sobretudo fora de campo, será fundamental para o crescimento na carreira.

Pena que, se vingar, logo aparecerá um gringo endinheirado para levá-lo embora...

Antero Greco