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Neymar decide, ajuda a segurar o Bayern e leva Barça à final da Liga

Do UOL, em São Paulo

12/05/2015 17h37

Às vezes é noite de Luis Suárez. Às vezes, de Lionel Messi. Nesta terça, foi de Neymar. No revezamento de luxo do Barcelona, o brasileiro decidiu um jogo gigante com dois gols e viu sua equipe perder por 3 a 2 para o Bayern, em Munique. Com a vantagem de 3 a 0 construída na ida, o time catalão vai à final da Liga dos Campeões pela primeira vez desde 2011, ano da última conquista da equipe.

É a coroação de uma temporada quase perfeita do trio de ataque do Barcelona, que está a uma vitória da conquista do Campeonato Espanhol e na final da Copa do Rei. Daqui a três semanas e meia, na final em Berlim, Suárez, Messi e Neymar terão a oportunidade de buscar a quinta Liga dos Campeões da história do clube, a quarta no atual século.

E tudo isso diante de um rival respeitável. O Bayern de Munique do melhor treinador e dos alemães campeões do mundo já tinha caído no Camp Nou há uma semana com um 3 a 0. Nesta terça, fizeram frente, nunca desistiram e venderam caro a eliminação. Fizeram os três gols que precisavam, mas levaram dois que minaram a chance de uma reação.

Méritos para Neymar, autor dos dois gols do Barcelona em duas assistências de Suárez. Com o faro de artilheiro, o ex-santista tornou-se o brasileiro com mais gols no mata-mata da Liga dos Campeões (6, contra 5 de Kaká em 2007)) e, de quebra, virou o parceiro que mais marcou gols ao lado de Messi (37, contra 36 de Eto’o em 2009).

Agora, o Bayern se recolhe em um fim de temporada decepcionante pela segunda eliminação seguida na semifinal e o Barcelona junta forças para a reta final da temporada. Para erguer três taças, o time catalão precisa de três vitórias. A última delas terá de ocorrer em Berlim, contra Real Madrid e Juventus, que se enfrentam nesta quarta. Seja com quem for, será a chance de consagração para novatos como Neymar e Suárez e mais uma taça de peso para a coleção de veteranos como Messi, Iniesta e Xavi.

Fases do jogo:
O jogo era, desde o começo, uma corrida contra o tempo do Bayern, que precisava ter instinto assassino desde o princípio. A escalação foi a mesma do Camp Nou, com os mesmos problemas e apostas parecidas. A diferença é que, ao contrário do início em Barcelona, o jogo não estava 0 a 0.

O plano de Guardiola, diga-se, começou bem. Benatia, aos 6 minutos do primeiro tempo, aproveitou-se de uma deficiência histórica dos catalães e marcou de cabeça, livre dentro da grande área. Só que faltava volume ao time alemão, que teve dificuldade para criar chances claras diante de um Barcelona que formava uma linha de até cinco homens no meio-campo quando estava sem a bola.

Quando a posse era de Messi e companhia, a ordem era atacar com precisão e verticalidade. Nada de toquinho de lado, como convém ao estilo do Barça. Rakitic teve uma chance em lançamento de Daniel Alves e parou em Neuer. Quando foi a vez de Suárez em um passe de Messi, porém, o uruguaio fugiu do goleiro e tocou de lado para Neymar, livre, empurrar para as redes.

Foi um balde d’água fria no Bayern, que àquela altura precisava de um 5 a 1. Desorganizado na defesa, os alemães levaram a pancada final quando Benatia marcou mal Suárez e o uruguaio disparou para servir Neymar, que fez o segundo, atingiu marcas históricas e deixou o Barça a um passo da final.

Com a vantagem em Munique, restava ao Barça defender-se com qualidade. Antes do intervalo, Ter Stegen fez duas grandes defesas e impediu uma reação rápida. No segundo tempo, já desmotivado pela eliminação iminente, o Bayern passou a criar menos e facilitou o trabalho dos catalães. A exceção foi Lewandowski, que aos 13 minutos deu um drible de futsal em Mascherano e bateu com muita categoria para empatar.

Só que faltava muito ao Bayern. O último fio de esperança veio com Thomas Muller, em assistência de Schweinsteiger, que recolocou o time alemão à frente. Faltaram, porém, mais três gols, diferença que deu a sonhada vaga para o Barcelona. 

Melhor: Neymar. O brasileiro chegou a seis gols marcados entre as quartas e as semis da Liga dos Campeões. Na fase decisiva como um todo, cresceu e foi protagonista de um Barça cheio de estrelas. Nesta terça, especificamente, aproveitou as chances que caíram nos seus pés e garantiu que o Bayern não pudesse sonhar com uma reação.

Pior: Benatia. Você pode dizer: “Ah, mas ele fez o gol”. Sim, mas repare nos gols de Neymar. No primeiro, ele deixa Suárez escapar e o uruguaio serve Neymar com precisão. No segundo, ele sai da marcação de Suárez para dobrar em Messi e o argentino joga a bola justamente para o uruguaio assistir Neymar novamente. Erros que vetaram uma reação real dos alemães.

Chave do jogo: Oportunismo do Barça. Com a vantagem, os catalães não se expuseram em nenhum momento e atacaram com precisão. Nas duas chances que teve, Neymar não tomou conhecimento de Neuer e guardou atrapalhando os planos de Guardiola.

Toque dos técnicos: Luis Enrique prometeu que seu time atacaria, mas teve um cuidado especial com a defesa. Sem a bola, o Barcelona armou uma linha de até quatro homens no meio-campo, com Neymar e Messi recuando, para impedir que a posse de bola do Bayern fosse mais eficiente. 

Outros destaques:
Guardiola na semi: Em toda sua carreira, o técnico disputou seis edições de Liga dos Campeões e chegou em seis semifinais. O problema é que ele já soma quatro eliminações nesta fase, duas delas pelo Bayern. Pelos alemães, o placar agregado é de 10 a 3, somadas as eliminações para Real Madrid e Barcelona. 

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