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Após mês de treinos fechados, Felipão muda jogo com novidade no Palmeiras

Mudança de Felipão para três zagueiros no segundo tempo foi decisiva - Marcelo Hernandez/Getty Images
Mudança de Felipão para três zagueiros no segundo tempo foi decisiva Imagem: Marcelo Hernandez/Getty Images

Danilo Lavieri e Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

21/09/2018 04h00

A grande vitória por 2 a 0 do Palmeiras sobre o Colo-Colo no jogo de ida das quartas de final da Libertadores, na noite da última quinta-feira (20), em Santiago, teve uma intervenção decisiva do técnico Luiz Felipe Scolari, que tem trabalhado exclusivamente com treinos fechados há cerca de um mês. Quando o alviverde sofria seu momento de maior pressão no jogo, o treinador mostrou uma novidade tática para mudar o panorama da partida e reequilibrar as forças: Gustavo Gómez ao lado de Edu Dracena e Antônio Carlos, em um inédito sistema com três zagueiros.

Assista aos gols da vitória do Palmeiras

A troca aconteceu aos 28 minutos do segundo tempo, com o Colo-Colo tendo espaço para jogar e rondar a área palmeirense. Gómez substituiu o volante Thiago Santos e o Palmeiras passou a controlar melhor os ataques chilenos, liberando os laterais Mayke e Diogo Barbosa para combaterem os alas adversários. Até então, quem estava fazendo esse trabalho era Dudu e Willian, que precisavam voltar até a linha de fundo e muitas vezes não estavam em posição para puxar contra-ataques.

Com a troca, não demorou para o Palmeiras fazer o segundo gol - justamente em um contragolpe envolvendo Willian e Dudu, que ficaram mais livres de funções defensivas. O primeiro arrancou pela esquerda e chutou para grande defesa de Orión; no rebote, Dudu apareceu para conferir e decretar a vitória alviverde. A mudança também fez o time paulista ganhar uma sobra na zaga contra os dois atacantes mais enfiados da equipe da casa.

"A gente tinha um espelho de como jogava o Colo-Colo. Eles usaram os alas avançados, colocamos nossos atacantes lá. Tivemos a sorte de conseguir o segundo gol em seguida. São situações que a gente estuda o adversário para tentar tirar o proveito da forma de jogar e, quando entendíamos que não tínhamos o controle da bola, a gente colocou mais um zagueiro para ter a chance de contra-ataque com dois jogadores rápidos", explicou Felipão após a partida.

Na preparação para o jogo, Felipão conversou com os auxiliares Paulo Turra e Carlos Pracidelli e recebeu relatórios do departamento de análise de desempenho do clube sobre a forma de jogar do Colo-Colo, com alas muito avançados e liberdade para Valdivia no meio-campo. A inovação dos três zagueiros foi pensada especialmente para esse confronto.

Desde a chegada de Felipão, o Palmeiras passou a fechar cada vez mais treinos para a imprensa. Segundo o clube, a iniciativa já era uma ideia da diretoria por entender que era importante mais privacidade em um momento decisivo da temporada. Os jornalistas têm podido acompanhar, no máximo, os aquecimentos das atividades. As escalações, assim como já acontecia com o antecessor Roger Machado, são divulgadas apenas uma hora antes de cada jogo.

É claro que Felipão já havia feito ajustes pontuais na forma de jogar do Palmeiras. O time com ele, por exemplo, segura mais a subida dos volantes, não incentiva que os dois laterais ataquem ao mesmo tempo e aposta em um jogo mais direto, muitas vezes com bolas longas da defesa para o ataque. As mudanças têm dado certo: o clube teve uma melhora defensiva considerável e passou a acumular bons resultados, embalando também a confiança do elenco.

Ainda assim, o uso dos três zagueiros, que se tornou uma marca do treinador na conquista da Copa do Mundo de 2002 pela seleção brasileira, foi a inovação tática mais drástica de Scolari até o momento. Com uma vantagem confortável, o Palmeiras reencontra o Colo-Colo no jogo da volta das quartas de final da Libertadores em 3 de outubro, uma quarta-feira, no Allianz Parque.

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