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Grêmio volta a "cidade do grande incêndio" e onde tem conexão desde 1995

Grêmio de Felipão jogou duas vezes em Guayaquil na campanha do bicampeonato, em 1995 - cyr Lopes Junior/Folhapress
Grêmio de Felipão jogou duas vezes em Guayaquil na campanha do bicampeonato, em 1995 Imagem: cyr Lopes Junior/Folhapress

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

24/10/2017 12h00

O caminho do Grêmio atrás do título na Copa Libertadores passa, outra vez, por Guayaquil. Tal qual em 1995, o Tricolor pisa da cidade mais pujante do Equador. E a história do centro econômico do país andino tem incêndio que quase a varreu do mapa, revolução, o maior clube do país e o recente berço para um reforço de peso que não decolou no Tricolor.

Nesta quarta-feira, em Guayaquil, o Grêmio enfrenta o Barcelona-EQU no primeiro jogo da semifinal da Libertadores. Vinte e dois anos atrás o clube visitou a cidade para jogar com o Emelec na fase de grupos e na semifinal do torneio que terminaria sendo seu.

Em 2016 o Grêmio também esteve em Guayaquil, mas falando com o rival do Barcelona. Em uma força-tarefa com direito a jatinho particular cedido, a diretoria conseguiu fechar a contratação de Miller Bolaños junto ao Emelec. Hoje, o meia-atacante está emprestado ao Tijuana, do México, após problemas disciplinares e atuações irregulares.

Guayaquil já teve piratas e Simon Bolívar

Muito antes das visitas do Grêmio, Guayaquil já pulsava forte. Sob o domínio espanhol, se tornou um porto de relevância nas cartas náuticas e a reboque viu a densidade demográfica crescer. As construções precárias foram consumidas por vários pequenos incêndios, atestando a estrutura quase rudimentar da cidade que brotava às margens do rio Guayas.

A pujança atraiu piratas e por mais de 100 anos Guayaquil cambaleou entre um ataque e outro, entre uma remontada até a nova orda vinda do mar atrás de seus recursos. A provação, contudo, seria maior anos depois. Em 1820, a cidade declarou independência do império espanhol. A data é celebrada até hoje e a atitude revolucionária forjou a identidade do povo.

Dois anos depois Guayaquil, que havia se tornando um estado soberano, passou a integrar a Grande Colômbia, nação montada por Simon Bolívar. O clássico libertador do continente chegou a disputar Guayaquil com o Peru e levou a melhor. A parceria, contudo, durou apenas oito anos e logo o Distrito do Sul inteiro deixou a Grande Colômbia para dar origem ao Equador. A formação da nação estreitou relações e passou a alimentar uma rivalidade.

Quito e Guayaquil travam, desde meados de 1840, uma batalha. Ora de forma mais aberta, ora de forma mais velada. E a história descamba em 1896. Em seis de outubro daquele ano, um incêndio de grande proporção desafiou a existência da cidade. As chamas se espalharam pelos casebres de madeira e devoraram a área forte do comércio local. A estimativa é que mais de 25 mil pessoas foram atingidas. As centenas de casas e lojas consumidas pelas labaredas passaram a render teorias. A mais forte à época atribui o sinistro a um grupo de políticos conservadores de Quito. Desperados para controlar a expansão dos vizinhos.

Antes do grande incêndio, é bem verdade, Guayaquil registrou outros vários. Ainda na época do império espanhol, pouco antes de sua independência e até nos meses que precederam o outubro fatídico. Mas nada se compara aquela que é apontada como a maior tragédia do Equador. Dali saiu uma nova faceta da cidade e do povo.

Guayaquil se reinventou. Se recuperou. E na década de 1920 viu nascerem seus dois maiores clubes. Primeiro foi fundado o Barcelona, em 1925, e quatro anos depois apareceu o Emelec. O rival do Grêmio na luta por uma vaga na final se inspirou no primo espanhol, mas não mantém relação estreita. Uma das conexões recentes foi a presença de Ronaldinho Gaúcho no jogo de abertura da temporada passada. O camisa 10, revelado pelo Grêmio, é mais uma das ligações indiretas entre o clube gaúcho e a cidade.

Michael Arroyo, contratado pelo Grêmio em julho, é outra conexão. Aos 30 anos, o meia-atacante é filho de Guayaquil. Começou a carreira no Emelec, passou pelo Barcelona e antes de fechar com o Tricolor estava no América-MEX. Ao pisar na sua cidade natal, ele não escondeu a alegria. "Vai ser emocionante jogar aqui de novo", contou.

A história ligou Grêmio e Guayaquil um par de vezes. Nesta quarta-feira (25) o clube gaúcho espera que leve uma boa recordação.

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