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Carrasco de Renato, cartola e político. Quem é o homem no caminho do Grêmio

Cevallos pegou três pênaltis na final da Libertadores de 2008 e agora é governador - Reuters
Cevallos pegou três pênaltis na final da Libertadores de 2008 e agora é governador Imagem: Reuters

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

24/10/2017 04h00

José Francisco Cevallos, mas pode chamar de presidente, governador, ex-goleiro e ex-ministro. O antigo camisa 1 da seleção equatoriana é um dos líderes do Barcelona de Guayaquil, adversário do Grêmio na semifinal da Copa Libertadores. Além de presidir o clube, ele é o estadista da maior província do país e se tornou uma das figuras públicas mais notórias no país andino.

Aos 46 anos, Cevallos ficou conhecido no Brasil em 2008. Naquele ano, o goleiro pegou três pênaltis pela LDU na final da Libertadores, contra o Fluminense. O treinador do clube carioca era Renato Gaúcho, e aquela derrota no Rio de Janeiro assombra o técnico até hoje.

"Não engoli", disse Renato no início deste ano, em participação no programa 'Bem, Amigos', do Sportv. "Meus melhores batedores erraram. Perder uma Libertadores nos pênaltis é doloroso", completou.

Cevallos, contudo, não pode ser resumido apenas a "carrasco do Flu". Como jogador, ele foi três vezes campeão nacional jogando pelo Barcelona, disputou a Copa do Mundo de 2010 e quatro edições da Copa América. Foi capitão do time nacional e ainda levantou as taças de duas Recopas Sul-Americanas e da Copa Sul-Americana.

Pouco depois da aposentadoria como goleiro, em 2011, assumiu o cargo de Ministro do Esporte no governo de Rafael Correa. Seguiu com a pasta até outubro de 2014. Em setembro do ano seguinte, se tornou presidente do Barcelona e iniciou um processo de recuperação do clube.

A primeira meta foi renegociar contratos de patrocínio e explorar a marca de maior clube do país. Na esteira disso, Cevallos agregou respeito à diretoria e conseguiu parcelar dívidas acumuladas por gestões anteriores. Algumas, inclusive, estão sob investigação por suposto enriquecimento ilícito dos dirigentes da época. Ao mesmo tempo em que quitava boletos, o ex-goleiro investia no time e traçava outro plano: voltar a ganhar títulos.

Em 2016, após três temporadas, o Barcelona conquistou o campeonato equatoriano de novo. Quebrando recordes e mantendo Guillermo Almada, treinador uruguaio, desde então, o clube pulou para o objetivo de vencer alguma taça internacional. No meio do caminho, Cevallos ganhou outro emprego.

Em maio, o ex-goleiro foi nomeado governador da província de Guayas, a mais populosa do Equador e centro industrial e econômico do país. Um dia antes da posse, Cevallos prometeu que seguiria no comando do Barcelona. Com a decisão, passou a ser comum a cena: o governador falando de futebol em atividades públicas ou tratando de demandas da população no estádio.

"Estou tratando de alguns temas da província, mas nunca descuidando do clube (...) Trabalho das 6h às 22h, estou por dentro do que acontece no clube sempre. Se não vou lá, me informam por telefone. Por WhatsApp. Estou sempre por dentro de todos os detalhes", contou Cevallos ao site Teradeportes.com, no hall de um prédio público e logo após participar de atividade da agenda oficial de governador.

A escalada de José Francisco Cevallos ao poder segue uma lógica. Homem mais poderoso do maior clube do país, ele já tem defensores para uma campanha à presidência, mas não para agora, já que em abril último Lenín Moreno foi eleito presidente do Equador. Cevallos, até lá, vai seguir sendo carrasco do Fluminense, ex-goleiro ídolo e agora político. 

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