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Bilionário não consegue vender time de futebol inglês

David Hellier

Bloomberg

13/02/2019 00h38

Mais uma temporada, mais uma tentativa malsucedida de vender um dos últimos grandes clubes disponíveis na liga de futebol mais cara do mundo. Mas a dificuldade para fechar negócio pelo Newcastle United pode ter mais a ver com o dono, um bilionário do setor de varejo, do que com o ativo.

Mike Ashley é um comprador em série que está abocanhando nomes britânicos conhecidos do setor de varejo, como Evans Cycles e a rede de lojas de departamento House of Fraser, juntamente com uma participação na concorrente Debenhams. Sua principal empresa, a Sports Direct International, anunciou em 8 de fevereiro que apresentou oferta pela falida rede Patisserie Valerie. O Financial Times noticiou que a oferta foi abandonada.

Por outro lado, houve poucos desinvestimentos consideráveis. Dos mais de 30 negócios fechados pela Sports Direct, apenas dois foram vendas, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre eles estão a venda da marca esportiva Dunlop para a japonesa Sumitomo Rubber Industries por US$ 137,5 milhões, concluída em 2017.

Os candidatos a compradores dizem que é complicado negociar com ele, principalmente porque ele costuma suspeitar das condições das ofertas, segundo duas pessoas envolvidas em tentativas de compras nos últimos dois anos. Elas preferiram não ser identificadas devido à confidencialidade das negociações.

Ashley, 54, também é famoso pelas técnicas de negócios informais. Uma ação judicial aberta em 2017 por um ex-executivo bancário incluiu detalhes chocantes de competições de bebidas.

Ele assumiu o controle do Newcastle, da Premier League, por 134 milhões de libras (US$ 172 milhões) em 2007. E colocou o time à venda pela primeira vez em 2008 porque os torcedores do time do nordeste da Inglaterra se voltaram rapidamente contra ele após a saída de Kevin Keegan, uma lenda do clube, do cargo de gerente. Não apareceu nenhum comprador.

Ao longo dos anos, foram frequentes os rumores sobre venda, mas nenhum se concretizou. Depois vieram as tentativas mais recentes, que começaram no segundo semestre de 2017 com um preço de cerca de 400 milhões de libras. Mas nos últimos dias as negociações foram interrompidas, segundo pessoas ligadas à equipe.

"Ele é muito determinado e um comprador agressivo de ativos comerciais, dos quais nem todos tiveram sucesso", disse Clive Black, diretor e chefe de pesquisa da Shore Capital. "Mas quando se trata de vender, ele parece ter dificuldades para se desprender e coloca preços na cabeça que não aceita reduzir."

Um porta-voz do Newcastle United preferiu não comentar sobre a situação das negociações para a aquisição do clube, encaminhando as perguntas à equipe de imprensa de Ashley, da Sports Direct. Um porta-voz da empresa também preferiu não comentar.

Se compradores ricos abocanham equipes de baixo rendimento como o Manchester City, no papel o Newcastle parece uma aposta interessante. O clube foi classificado recentemente como a 19ª equipe mais rica da Europa em termos de receita pela empresa de serviços profissionais Deloitte.

Mas um grupo barulhento de torcedores quer a saída de Ashley e sempre faz manifestações nos jogos. Uma integrante local do Parlamento, Chi Onwurah, também está envolvida. Ela alega que Ashley poderia vender o ativo facilmente se realmente quisesse. "Ele fica mudando os termos e condições durante as negociações", disse Onwurah.

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