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"Ainda torço para a bola ir fora", diz vítima de gol inesquecível de R10

David Guttenfelder/AP
Imagem: David Guttenfelder/AP

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Londres (ING)

28/10/2017 04h00

A genialidade de Ronaldinho Gaúcho com a bola nos pés desconcertou incontáveis adversários. Um deles ficou marcado por um lance surpreendente, sobretudo por ter decidido um jogo importante para o Brasil na campanha do Penta. David Seaman, ex-goleiro da Inglaterra, não se esquece das quartas de final da Copa do Mundo de 2002, realizada na Coreia do Sul e no Japão, onde o meia o ludibriou mesmo a quase 40 metros de distância.

No começo do segundo tempo da partida disputada em Shizuoka, em solo japonês, a seleção comandada por Luiz Felipe Scolari teve falta assinalada a seu favor na faixa direita do campo da intermediária ofensiva. Ronaldinho, então camisa 11 e com apenas 22 anos, posicionou-se para efetuar a cobrança enquanto o placar apontava 1 a 1 – Michael Owen tinha aberto o placar para os ingleses e Rivaldo igualou o marcador, ainda na etapa inicial.

Assim que o então coadjuvante de Ronaldo fez a cobrança, Seaman, na época campeão inglês pelo Arsenal, deu um passo a frente para possivelmente cortar o que poderia ser um cruzamento. Tarde demais. O goleiro acabou encoberto no lance, e a bola morreu na lateral da rede do time de David Beckham, Paulo Scholes e cia.

“Já assisti ao lance diversas vezes”, conta ao UOL Esporte. “E toda vez que vejo, torço para que a bola saia por cima do travessão, mas ela acaba dentro do gol (risos)”, brinca o ex-jogador de 54 anos. “Essa é a vida de goleiro: erros, acertos e troféus, mas pelo papel decisivo dessa posição, acabamos lembrados mais pelas falhas”, pondera o multicampeão pelo Arsenal.

No clube de Londres, um brasileiro que foi contratado depois do título na Ásia confidenciou a Seaman a verdadeira intenção do Gaúcho ao alçar a bola na área.

“Gilberto (Silva), um grande amigo meu, admitiu que ele (Ronaldinho) não quis colocar a bola aonde ela foi”, acrescenta.

Atencioso e educado, o ex-goleiro conversa sobre o assunto com naturalidade e relembra até quando a jogada foi motivo de piada com o algoz de 15 anos atrás.

“Já encontrei Ronaldinho depois disso, até jogamos uma partida beneficente juntos e rimos sobre isso. Nesse jogo festivo, ele teve uma falta parecida e brinquei com ele, para tentar de novo (risos)”.

Logo depois de virar a partida sobre a Inglaterra, Ronaldinho foi expulso e, assim, desfalcou o Brasil na semifinal contra a Turquia – Ronaldo garantiu a vantagem mínima e a vaga na grande decisão diante da Alemanha, que viu o Fenômeno brilhar com dois gols e a seleção erguer a taça em Yokohama. A Copa dos sonhos da Família Scolari, e o pesadelo de Seaman.


 

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