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Árbitro relata insultos racistas e depredação de carro após jogo do Gauchão

Márcio Chagas da Silva, árbitro do jogo entre Esportivo e Veranópolis, teve seu carro depredado por bananas - Divulgação
Márcio Chagas da Silva, árbitro do jogo entre Esportivo e Veranópolis, teve seu carro depredado por bananas Imagem: Divulgação

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre*

06/03/2014 15h17

Márcio Chagas da Silva, árbitro do jogo entre Esportivo e Veranópolis, pela 12ª rodada do Gauchão, afirma ter sido alvo de atos racistas no estádio Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Além de ouvir gritos ofensivos durante os 90 minutos, ele teve o carro depredado. Duas bananas ainda foram colocadas sobre o veículo.

“Desde a entrada em campo eu ouvi manifestações racistas, foi algo constante. E não aconteceu nada de polêmico no jogo, foi uma atitude direta contra a minha pessoa”, disse ao UOL Esporte Márcio Chagas.

Após o apito final veio o ato extremo. De acordo com Chagas, seu carro estava em uma área restrita do estacionamento e mesmo assim teve as portas chutadas. Outras áreas da lataria foram arranhadas. E bananas foram espalhadas pelo carro.

“Eles entraram em um local onde só a arbitragem e os funcionários do clube têm acesso. Chutaram as portas do meu carro, arranharam várias partes e ainda colocaram bananas no capô e no escapamento”, relatou.

O Esportivo afirma que o local não foi invadido por torcedores. E garante que seguranças do clube não identificaram nenhum dos atos relatados pelo árbitro.

“Me causa estranheza tal coisa acontecer, o local é fechado e só quem tem acesso é a arbitragem. A chave do cadeado fica com o delegado da partida. Encaramos isto com grande tristeza, mas temos que averiguar direitinho”, disse o diretor de futebol do Esportivo, Bruno Noventa, à rádio Guaíba.

Ainda segundo o árbitro, a falta de efetivo da polícia no estádio não permitiu uma ação ainda durante os 90 minutos.

"Houve por parte do policiamento uma corroboração para fazer a ocorrência, mas não tinha um efetivo para pegar os torcedores, era uma efetivo de 5 homens para proteger a arbitragem, não tinha um efetivo para dar conta destes torcedores que tomavam estas atitudes enfurecidas", disse Chagas à rádio Globo.

Na 10ª rodada do Gauchão, Márcio Chagas da Silva relatou em súmula uma ofensa racista de um torcedor do Pelotas. O aficionado xingou o goleiro reserva do São Paulo-RS e o caso já foi levado ao Tribunal de Justiça Desportiva.

“Eu vou relatar em súmula o que aconteceu lá em Bento. Vou anexar as fotos do ocorrido. Este ano foi além de qualquer medida”, afirmou o árbitro.

A procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva aguarda a publicação da súmula para apresentar denúncia contra o Esportivo. O clube deverá responder ao artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que prevê perda de três pontos e multa de R$ 100 a R$ 100.000,00 por 'ato desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência'.

"Vamos obter a súmula até esta sexta-feira e apresentar denúncia. Como o caso pode afetar a classificação da primeira fase, deve ser levado ao Tribunal na sessão da quinta-feira da semana que vem [13 de março]", disse à reportagem o procurador Alberto Franco.

*Atualizada às 17h35min

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