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São Paulo perde "agressividade" em campo e se revolta com tropeço

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

23/09/2018 04h00

Se tem algo diferente no São Paulo do primeiro para o segundo turno do Campeonato Brasileiro, a ausência da agressividade do time na hora de atacar - ou marcar forte - entra no topo da lista. O time que chegava rápido ao gol adversários, com toques objetivos e graças a rápidas recuperações de bola não tem dado as caras. O Tricolor do returno é mais lento e preciosista e perde pontos que revoltam os próprios jogadores e a comissão técnica.

O mais marcante desses tropeços aconteceu na tarde do último sábado, contra o América-MG, pela 26ª rodada do Brasileirão: 1 a 1. No primeiro tempo, a equipe de Diego Aguirre trocava passes lentos, quase sempre laterais. Foram poucas as tentativas de virar o jogo. Em que pese a retranca do Coelho no Morumbi, faltava ímpeto, seja em dribles ou ultrapassagens para tabelar.

"Temos tido uma dificuldade maior, é evidente. No último jogo (empate sem gols com o Santos) e agora contra o América, poderíamos ter uma postura mais agressiva. Principalmente hoje (sábado) por jogarmos em casa, em um jogo tão importante. Era para buscarmos o segundo gol, e acabou ficando um gosto de derrota", lamentou o meia Nenê, sobre o empate com os mineiros.

O camisa 10 pode ser colocado como exemplo desse São Paulo que perdeu objetividade e ganhou em preciosismo. Ainda que tenha cruzado com perfeição para Diego Souza abrir o placar, Nenê exagerou em tentativas de toques de efeito, atrasando alguns ataques do Tricolor. Em tabela com o próprio Diego, conseguiu belo drible, mas preferiu passar de volta em vez de chutar e concluir a jogada.

Muito do jogo vertical que levou o São Paulo de Aguirre à liderança do Brasileirão passava pelos pontas Everton e Joao Rojas, ambos desfalques contra o América. O segundo cumpriu suspensão e volta para enfrentar o Botafogo no fim de semana que vem. Já o primeiro tenta se livrar de problemas físicos e deixa uma enorme lacuna na ponta esquerda. 

Só não espere ver lamentações sobre esses desfalques. Aguirre já costuma se recusar a falar sobre a falta que um atleta faz. E depois desse empate no Morumbi cheio, o próprio elenco entendeu que justificativas não teriam espaço. A reação do grupo foi de inconformismo, de revolta, porque, apesar das baixas, o time conseguiu melhorar na volta do intervalo, criar chances, mas se acomodou e foi castigado. Um cenário que já havia aparecido no empate por 1 a 1 com o Paraná, na abertura do segundo turno.

"No Brasileiro, os jogos sempre são bem difíceis. Fizemos o gol, continuamos pressionando e tomamos um gol que foi muito ruim. Não dava para deixar esse empate aqui. Estão todos chateados", afirmou Diego Souza. As caras feias dominaram o vestiário e o caminho até o ônibus do clube. Afinal, a liderança pode escapar de novo se o Internacional vencer o Corinthians neste domingo, às 16h, em Itaquera.

A preocupação agora se divide entre voltar a render como antes - e, consequentemente, vencer como antes - e não deixar mais um tropeço abalar a confiança de um time que se reergueu depois de anos de martírio. "Deixamos cair em momento que não podia. Só que não tem como abaixar a cabeça, somos líderes até domingo pelo menos. Os jogos agora são como finais. Então não tem espaço para abaixar a cabeça. É corrigir o que temos feito de errado para não acabar sofrendo", cobrou o capitão Hudson. 

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