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Como a ida de Tite ao Arsenal ajuda Corinthians a brigar por Brasileirão

Matheus Bacchi e o pai, Tite, durante jogo entre Arsenal e Bayern em 2014 - Arquivo pessoal
Matheus Bacchi e o pai, Tite, durante jogo entre Arsenal e Bayern em 2014 Imagem: Arquivo pessoal

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

15/08/2015 06h00

Ex-homem forte da Hicks Muse, parceira corintiana na década retrasada, o inglês Dick Law foi o anfitrião na visita de Tite ao Arsenal há cerca de um ano. Aos funcionários do clube em que atualmente trabalha, Law disse que os três anos como comandante corintiano, no contexto do futebol brasileiro, equivaliam aos quase 20 anos de Arsène Wenger por lá.

Contada à Rádio Globo por Tite, a história sobre a visita ao Arsenal ocorreu durante a última temporada e, na avaliação do treinador, é um dos pontos de evolução profissional que foram aplicados no Corinthians, novo líder do Brasileirão. Na sede do clube inglês,  ele se impressionou com a riqueza de detalhes na utilização de vídeos. Trata-se de um departamento corintiano que já existia há algum tempo, mas cresceu em importância e qualidade em 2015.

"A gente já usava isso até em 2004, mas o diferencial foi a qualificação e a evolução do trabalho. Temos levado eles para o campo, filmado os treinamentos com a Grua (câmera especializada que foi comprada) e isso nos aumenta as possibilidades", explica Cléber Xavier, auxiliar de Tite há 15 anos. 

O fluxo de trabalho da comissão do Corinthians, dessa maneira, mudou. Depois dos jogos, Cléber ou Fábio Carile, também auxiliar, filtram vídeos preparados pelo departamento corintiano com ações individuais que podem ser corrigidas e melhoradas. Os melhores momentos são salvos em um pendrive. A interação é realizada diretamente e empolga alguns jogadores.

Fernando Lázaro - Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians - Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Ao lado de Cléber Xavier na foto, Fernando Lázaro (esq) coordena o CiFut, o centro de inteligência em futebol corintiano
Imagem: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

A evolução do lateral Uendel, titular durante boa parte dessa temporada, é atribuída em partes a esse trabalho. Ele é um dos mais interessados em entender o jogo e se aperfeiçoar, sobretudo no posicionamento defensivo. A conduta já valeu elogios públicos de Tite. "Alguns jogadores têm uma interação maior, mas eles assistem, você está sentado com o atleta e ele está vendo, balançando a cabeça, às vezes discordando. De janeiro pra cá, vejo os atletas mais interessados nisso", conta Cleber. 

Matheus Bacchi, filho de Tite e que trabalhou como auxiliar técnico do Caxias no primeiro semestre, explica que o funcionamento no Arsenal é semelhante. Ele acompanhou o pai e serviu de tradutor na Inglaterra. "Os atletas chegavam ao departamento e perguntavam sobre vídeos dos adversários", testemunha.

"Eles fazem um monitoramento da intensidade dos jogadores com um GPS e tudo isso é decupado por essa equipe e levado ao treinador em um Ipad uma hora após o treinamento", explica Matheus. "Essa foi uma das situações que vimos e ele almejava utilizar aqui assim que voltasse a trabalhar. Era o próximo passo a ser dado aqui". 

Com todo esse aperfeiçoamento, Tite voltou ao Corinthians por mais três anos de contrato. Apesar de duas eliminações frustrantes, cumpre com a expectativa criada por seu retorno. Para assim, quem sabe, deixar Dick Law e os ingleses do Arsenal ainda mais impressionados. 

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