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Covid e fim de maldição: por que vitória dos Browns é um marco na NFL

Myles Garrett e Baker Mayfield comemoram vitória do Cleveland Browns contra o Pittsburgh Steelers - Justin K. Aller / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Myles Garrett e Baker Mayfield comemoram vitória do Cleveland Browns contra o Pittsburgh Steelers Imagem: Justin K. Aller / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Rafael Belattini, colaboração para o UOL

11/01/2021 12h03

Um touchdown com 14 segundos de jogo, um primeiro tempo épico com 28 pontos marcados e uma vitória sobre o grande rival.

Foi assim que o Cleveland Browns quebrou um jejum de 26 anos anos sem vitória nos playoffs da NFL, batendo o Pittsburgh Steelers por 48 a 37 e garantindo a classificação para encarar o Kansas City Chiefs no próximo domingo.

A vitória teve um gosto especial por ser contra um rival de divisão e um dos mais poderosos times da liga, primeira franquia a colecionar seis Super Bowls na história.

Além disso, o jogo ganhou o tempero das provocações do recebedor JuJu Smith-Schuster, dos Steelers, que durante a semana desdenhou do rival dizendo que "os Browns eram os Browns", referindo-se ao passado recente da franquia de Cleveland, e afirmando "estar contente" por tê-los com adversário na primeira rodada dos playoffs.

Covid-19 como obstáculo

Se um duelo contra o dono da melhor campanha na divisão já não fosse complicado o suficiente, um surto de Covid-19 deixou tudo ainda mais difícil.

Na noite de ontem, os Browns não puderam contar com a presença do treinador Kevin Stefanski na lateral do campo, já que ele foi diagnosticado com o novo coronavírus no começo da semana. Além dele , outros quatro auxiliares foram afastados.

Dentro de campo a pandemia também causou quatro desfalques, sendo um deles Joel Bitonio, jogador de linha ofensiva que é um dos ídolos do elenco, eleito três vezes para o Pro Bowl.

A maldição de Cleveland

Motivos para festa não faltaram no estado de Ohio, que quer deixar para trás a sina de sofrimentos quando o assunto é esporte profissional.

Os Browns eram uma das franquias mais bem sucedidas nos primórdios do futebol americano. Quatro vezes campeão da extinta All-American Football League, a equipe se mudou para a NFL em 1950 e seguiu dominando, conquistando o título daquele ano e outros três troféus.

Só que de lá para cá as coisas mudaram muito. A cidade de Cleveland só comemorou um título nas grandes ligas americanas desde então, quando LeBron James colocou os Cavaliers como campeões da NBA em 2016.

Enquanto isso, os Browns acumulavam vexames. Desde 2002, o último ano em que a franquia havia conquistado uma vaga para os playoffs, eles terminaram em último lugar de sua conferência em 15 oportunidades.

Conhecido saco de pancadas da liga, o torcedor dos Browns ainda teve que ver seu time vencer apenas um dos 32 jogos que fez entre 2016 e 2017, o que gerou até campanha de cervejaria prometendo bebida grátis para toda a cidade em caso de triunfo.

A última vitória em playoffs havia acontecido em 1º de janeiro de 1995. Então sob comando de um jovem Bill Belichick, os Browns venceram o New England Patriots, time que depois conquistaria seis Super Bowls com o treinador do algoz.

Equipe chegou a sumir

Logo depois do torcedor criar esperanças com dias melhores em 1995, veio o choque. Depois de ter feito campanha para conseguir a modernização do estádio municipal em que os Browns jogavam, Art Modell, dono da franquia, anunciou que o time estava de mudança para Baltimore.

Dentro de campo as coisas desandaram, enquanto fora dele começou uma batalha jurídica para que ao menos o nome da franquia, dado em homenagem ao primeiro treinador, Paul Brown, seguisse em Cleveland, assim como as cores, o uniforme e o histórico da franquia.

Em 1999, depois de três anos de hiato, o Cleveland Browns voltou a vida com a expansão da liga, mas só agora o torcedor parece realmente ter encontrado motivos para comemorar

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