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Filho de brasileira sonhou com futebol. Hoje, tenta fazer história na NFL

Kicker Rodrigo Blankenship em ação pela Universidade da Georgia - Reprodução
Kicker Rodrigo Blankenship em ação pela Universidade da Georgia Imagem: Reprodução

Lucas Tieppo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/05/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Rodrigo Blankenship assinou contrato de múltiplas temporadas com o Indianapolis Colts
  • O kicker é filho de mãe brasileira e pai norte-americano, mas nasceu e viveu nos EUA
  • Quando criança, ele jogou futebol e sonhava seguir a carreira no esporte
  • Agora, Rodrigo disputará a vaga de kicker na franquia e pode substituir Adam Vinatieri

Rodrigo Blankenship está sentindo na pele o que é a realidade de um atleta que sonha se firmar na NFL. Com grande desempenho no futebol americano universitário pela Universidade da Georgia, o kicker, filho de mãe brasileira e pai norte-americano, viveu a expectativa de ser escolhido no Draft, a decepção por não ter o nome falado por Roger Goodell e a ligação minutos depois que mudou a sua vida.

O jovem de 23 anos foi procurado pela direção do Indianapolis Colts, um dos mais tradicionais times da liga, apenas dois minutos depois da última escolha do Draft ser anunciada. Era como se os dirigentes da equipe estivessem torcendo para que nenhuma das outras 31 franquias apostassem no jogador. E foi o que aconteceu.

"É uma grande oportunidade e aceitei o desafio. Era como se eles estivessem esperando que ninguém me escolhesse. Deu certo para todos", disse.

Rodrigo nasceu e viveu nos Estados Unidos, mas mantém vínculo com a família brasileira. No terceiro dia do evento de seleção dos novos atletas para a NFL, quando os analistas acreditavam que ele poderia ser escolhido, a mãe, Izabella, fazia uma videoconferência com os parentes em Recife, enquanto os familiares norte-americanos e amigos estavam em outra ligação.

A decepção logo foi substituída pela empolgação de receber o contato dos Colts. Após poucos minutos de conversa com seu agente, a resposta foi dada. Rodrigo aceitava o desafio de brigar por uma vaga na NFL. "Foi um dia muito louco. Eu estava esperançoso que fosse selecionado no Draft, fiquei um pouco desapontado, mas muito grato por ter a chance de jogar em um grande time", resumiu.

A entrevista com Rodrigo foi feita em inglês, pois o português do kicker está enferrujado, já que a última visita ao país foi há dois anos e ele não pratica muito a língua. Ele tem parentes em Recife e foi na capital pernambucana que o ainda jovem Rodrigo pegou experiência no futebol mais famoso, quando ainda sonhava ser estrela do "soccer".

Rodrigo treinou por algumas semanas nas escolas de Náutico e Sport quando ainda planejava seguir carreira como jogador de futebol. Depois, o pai dele viu que ele poderia ter futuro como kicker no futebol americano e a mudança de esporte foi feita. Ainda assim, o jogador dos Colts guarda boas lembranças da experiência no Brasil.

"Tenho grandes lembranças dos treinos no Sport e no Náutico, pude evoluir muito. Quando era mais novo, ia para o Brasil todos os anos nas férias e passava um mês em Recife", lembrou.

Rodrigo ainda não pôde conhecer as instalações dos Colts por conta das medidas de restrição de deslocamento impostas pela pandemia do novo coronavírus. Por enquanto, ele treina em casa na Georgia e um campo próximo a sua residência. A franquia envia os treinos por um aplicativo, por onde acompanha os dados enviados pelo atleta.

Os Colts têm dois kickers no elenco, Rodrigo e Chase McLaughlin, e provavelmente apenas um deles vai seguir com o time para a disputa da temporada. A disputa já começou, conta Blankenship.

"Estou preparado. Chase é muito talentoso, fez grandes coisas na NFL na temporada passada. A competição será diária. Estamos separados por milhares de quilômetros, cada um em casa, mas a competição já existe. E vai ser assim até o primeiro jogo da temporada."

A briga é para substituir a lenda Adam Vinatieri, kicker de 47 anos e maior pontuador da história da NFL com 2673 pontos. O veterano não encerrou a última temporada por causa de lesões, mas seu retorno para a franquia ainda não está totalmente descartada. Rodrigo espera ter a oportunidade de encontrar e competir com o ídolo.

"Eu não tenho ideia se ele vai voltar. Eu adoraria conhecê-lo. Não sei quais são os planos, o que ele vai fazer, mas gostaria de encontrar com ele", contou.

Confira outros trechos da entrevista:

Rotina de treinos durante a pandemia

"Faço exercícios de peso em casa e vou para o campo duas ou três vezes para fora para treinar chutes. E geralmente minha namorada me ajuda com os treinos. O time mandou equipamentos de treino para jogadores. Pesos, cordas, rolos, bolas... eu uso tudo isso vendo o treino que mandam pelo aplicativo. Faço o trabalho três vezes por semana, por 1h30. Vou para campo também por 1h30, e também faço corrida por 1 hora. Temos que estar prontos, fisicamente e mentalmente, para o começo da pré-temporada."

Pressão no kicker

"A posição de kicker é única. O padrão é muito alto, você precisa fazer o melhor todo dia e todo jogo. Para manter o seu emprego você precisa estar sempre em alto nível. Acredito que competi na melhor conferência no futebol universitário. Estive em situações difíceis, joguei grandes jogos, estou treinado física e mentalmente para chegar na NFL."

Óculos como marca registrada

Rodrigo usa óculos dentro e fora de campo e isso virou uma marca registrada nos tempos da Universidade de Georgia. Se depender dele, será assim na NFL, mas a maioria dos atletas com deficiência na visão optam por lentes de contato.

"Vou continuar com os óculos. Nunca tive problema. As lentes me ajudam a ver melhor, tenho modelos específicos para usar em campo."

Cantor de rap?

Rodrigo lançou uma música de rap quando estava na universidade. Mas ele garante que será a única. "Eu acho que será o único lançamento. Não tenho nenhuma música no curto prazo. Eu escrevi a letra da música. Não serei conhecido como um cantor rap."

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