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Único brasileiro com a “CNH” da F-1, Sette Camara estuda ida à Indy

Sérgio Sette Câmara, piloto da Dams na temporada 2019 da Fórmula 2 - FIA Formula 2/Divulgação
Sérgio Sette Câmara, piloto da Dams na temporada 2019 da Fórmula 2 Imagem: FIA Formula 2/Divulgação

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

04/12/2019 04h00

O mineiro Sergio Sette Camara teve seu melhor final de semana em três temporadas na Fórmula 2 justamente na última etapa do ano, e que pode se tornar também sua última corrida na categoria. Depois obter os pontos necessários para tirar a superlicença, habilitação necessária para se tornar piloto da F-1, com os pontos conquistados com o quarto lugar no campeonato de pilotos deste ano, Sette Camara estuda duas opções: seguir na F-2 em um time competitivo ou tentar a sorte na Fórmula Indy.

"Seja onde eu estiver, é importante ter esses pontos da superlicença garantidos porque às vezes você se posiciona de certa forma que alguma coisa pode cair no seu colo", disse o piloto com exclusividade ao UOL Esporte. "Vimos exemplos recentes como o Hartley e o Wehrlein - um do WEC, outro da DTM - e mesmo o Albon ano passado [ele estava com o contrato assinado com a F-E quando foi chamado pela Toro Rosso para a F-1] que o argumento de ter a superlicença ajuda muito. Quem sabe, se eu tivesse ano passado, eu teria conseguido [chegar a titular da F-1] porque houve uma falta de pilotos. Agora, com a queda dos custos, pode ser que entrem mais equipes e eu tenho que estar lá pronto para que a sorte possa jogar a meu favor."

Sette Camara se refere à aprovação do teto orçamentário para equipes na F-1, que entra em vigor em 2021. Para o ano que vem, o grid já está 100% confirmado, mas há a expectativa de muitas mudanças no final do ano que vem.

Nos Estados Unidos, Sette Camara negocia com a equipe Dale Coyne e parece estar inclinado a ir atrás de um novo desafio depois de três anos na Fórmula 2.

"Ainda estou sem planos para o ano que vem e espero que essas conquistas pelo menos ajudem um pouco. Dar um passo à frente na minha carreira seria o ideal. Neste ano, aprendi muito sobre a parte técnica e sobre a administração de pneus. Cresci bastante nestes aspectos mas, se você não cair no campeonato certo e continuar praticando isso, vai perdendo. É importante ir para um campeonato ano que vem que, além de me dar chances de crescer em termos de carreira, também me mantenha no mesmo nível [tecnicamente]."

Outra possibilidade seria apostar em um projeto novo encabeçado pelo pai do piloto russo Nikita Mazepin, Dmitry, bilionário que está tentando entrar com uma equipe nova e com grande orçamento na Fórmula 2. A novidade não está confirmada, mas, na avaliação de Sette Camara, estar em uma equipe que permita a luta por vitórias é a única forma de fazer com que a categoria siga atrativa para ele.

"Estamos deixando para tomar essa decisão com calma e correr no melhor lugar possível. O raciocínio é o seguinte: ou você disputa um campeonato como o da F-2 disputando vitórias, pódios, mostrando a cara e brigando por algo. Ou você vai para um campeonato melhor andando bem e aprendendo. Gostaria de estar em um desses dois cenários ano que vem."

Correr ao lado do filho do bilionário, contudo, colocaria Sette Camara em uma situação bem parecida à dos últimos dois anos: em 2018, sua equipe estava totalmente voltada a Lando Norris, que era parte do programa da McLaren, e neste ano ele teve outro filho de bilionário, Nicholas Latifi, como companheiro. Em ambos os casos, o brasileiro terminou atrás no campeonato.

Por conta disso, Sette Camara se mostrou decepcionado com sua temporada mesmo após os ótimos resultados de Abu Dhabi. "Faço um balanço negativo. Todo mundo me fala para não falar isso, mas tenho vontade de vencer e me coloco metas. E, principalmente depois de um final de semana que esse, percebo que as coisas poderiam ter fluído melhor. Esse é um ambiente duro e é difícil saber o que aconteceu. Nunca vou saber o que aconteceu, mas o fato é que o carro não estava tão rápido quanto neste final de semana e isso é complicado. Fico um pouco chateado com isso."

Nesta temporada, Sette Camara dividiu as provas da F-2, em cujo campeonato ele terminou em quarto, com a função de piloto de desenvolvimento da McLaren. A equipe ainda não lhe informou se ele continua em seus planos. Segundo apurou o UOL Esporte, o fato da Petrobras ter retirado o patrocínio da equipe não o ajuda politicamente, apesar dos contratos não estarem conectados. "Não sei, não tive um retorno deles. O feedback que tive da equipe que trabalha no simulador é bom, mas é difícil saber. Eu já me acostumei com isso!"

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