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Petrobras desenvolveu combustível especial para F1 que nunca será usado

Lando Norris entra em sua McLaren no Japão - McLaren/Divulgação
Lando Norris entra em sua McLaren no Japão Imagem: McLaren/Divulgação

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

18/10/2019 17h22

O rompimento do acordo de patrocínio e fornecimento de combustíveis entre a Petrobras e a McLaren, que deve acontecer nos próximos dias, marcará a segunda tentativa frustrada da estatal brasileira em se juntar a petroleiras como Shell, Mobil, Castrol e Petronas na categoria mais importante do automobilismo, depois do fim da parceria com a Williams, entre 2014 e 2016. A saída também significa que o combustível especial desenvolvido desde o ano passado e aprovado pela Renault nunca deverá ser usado.

O término do contrato foi divulgado pelo Ministério da Economia. Petrobras e McLaren não quiseram comentar sobre o assunto. A justificativa do governo é de que o acordo, que entrou em vigor no começo do ano passado, era caro demais para a Petrobras. "Um injustificável contrato de patrocínio da Petrobras à equipe McLaren de Fórmula 1 — no valor de 163 milhões de libras esterlinas — foi encerrado", diz comunicado da Secretaria de Política Econômica.

A quantia descrita seria equivalente a 868 milhões de reais e não envolve apenas patrocínio. A maior parte foi usada no desenvolvimento de combustíveis e lubrificantes, iniciado em 2018. De lá para cá, a Petrobras chegou a desenvolver a gasolina, que foi aprovada pela Renault, fornecedora de motores da McLaren, mas que não foi usada pela equipe. Desde o GP de Abu Dhabi de 2018, o time vinha usando o óleo de transmissão brasileiro, e a expectativa é de que isso não se altere até o fim da temporada, mesmo com o fim do acordo. Isso porque o time teme queda de performance ao trocar os lubrificantes durante o campeonato.

Como está rescindindo um contrato de longo prazo, a Petrobras terá de pagar uma multa rescisória. O valor não foi divulgado.

É a segunda vez em menos de uma década que a Petrobras encerra um acordo com uma equipe de Fórmula 1 sem conseguir colocar seu combustível na pista. Entre 2014 e 2016, a empresa teve acordo semelhante com a Williams, válido apenas por três anos, mas resolveu não renovar o acordo. Já o contrato com a McLaren iria pelo menos até o final de 2022.

O combustível é considerado o elemento mais próximo entre o que é usado na F-1 e nos carros de rua, uma vez que o regulamento determina que 99% seja igual à gasolina premium. Esse 1% que pode ser trabalhado, no entanto, é fonte de grande concorrência entre as fornecedoras Shell, Castrol, Mobil e Petronas, uma vez que o combustível é um diferencial importante de rendimento. Por conta disso, as equipes buscam manter a estabilidade de parceiros — o maior exemplo é o da Shell com a Ferrari, parceria que data desde os anos 1950.

A própria Petrobras já teve uma parceria de patrocínio e fornecimento de combustível por 10 anos, entre 1998 e 2008, com a equipe Williams.

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